"Vips" festejam trabalho e tietagem

Agmar Lacerda, Eunice de Jesus e Renata Calvoso se sentiram VIPs neste domingo, no Autódromo de Interlagos. Não pagaram um tostão por ingressos, mas ficaram em um lugar privilegiado, não tomaram chuva e ainda puderam ver os pilotos bem de perto. Celebridades? Não, elas foram contratadas por empresas terceirizadas para trabalhar no GP do Brasil - não pelo pagamento, mas pela paixão que sentem pela Fórmula 1. "Tenho 30 anos, moro na região de Interlagos e nunca tinha entrado no autódromo. Sempre tive vontade de ver uma corrida de Fórmula 1, mas pagar R$ 218 por um ingresso é difícil para mim. Sou padeira e confeiteira e estava afastada do serviço porque minha filha estava passando por um tratamento. Fiquei sabendo desse emprego temporário e fui chamada para ser faxineira", conta Agmar, que é fã de Rubens Barrichello. A padeira, que consegue tirar até R$ 700 por mês, recebeu cerca de R$ 100 por quatro dias de trabalho, das 6 horas às 16 horas, na sala de imprensa do evento - e se sentiu abençoada. "Caiu do céu este emprego. Daqui dá para ver até a largada, não tomo chuva e ainda ganho por isso", gabou-se, ao saber que no andar de baixo, pelos camarotes que têm a mesma visão da sala de imprensa, as pessoas pagam US$ 500 (mais de R$ 1.500). "Eu não sabia pegar em um rodo, as meninas que me ensinaram aqui. Meu negócio é fazer massas de pães e doces. Mas valia qualquer coisa para ver esta corrida." Eunice de Jesus Acácio está trabalhando como segurança patrimonial no evento desde o dia 20 de março. Cursando o técnico em enfermagem, visitava o Autódromo de Interlagos quando os eventos tinham preços acessíveis. "Adorei ver o Schumacher de perto. Ele é lindo, simpático...mas como sou brasileira, sempre torço pelo Rubinho Barrichello. Valeu a pena demais trabalhar aqui porque os preços para uma corrida de Fórmula 1 são elevadíssimos para mim", disse. "E pensar que esse pessoal paga para ver a mesma coisa que eu. Tomara que ano que vem a empresa me chame novamente para trabalhar aqui." Renata Calvoso, de 24 anos, mora nos Estados Unidos e veio visitar o avô. Foi chamada para trabalhar na checagem das credenciais da sala de imprensa. "Trabalho no setor do imposto de renda nos Estados Unidos. Meu avô está com problemas de saúde e me pediu para vistá-lo. Acabei sendo chamada para trabalhar, e inicialmente não ficaria neste setor. Acabei gostando, principalmente porque posso ver parte do circuito e os pilotos passam muito perto daqui. Somos privilegiados mesmo." Trabalhando pela terceira vez na Fórmula 1, Renata conta como uma veterana. "O pessoal da organização sempre dá um tempinho para a gente tietar os pilotos. A gente vai ao paddock, boxes e tira fotos. É muito gostoso, principalmente para mim, que adoro Fórmula 1 desde os tempos do Senna. Lembro de ter vindo com meu pai em 1998, quando o Rubinho quebrou."

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