Vitória de Raikkonen traz emoção à F1

No GP da Malásia, marcado por inéditas conquistas dos jovens pilotos da Fórmula 1, deu vitória de Kimi Raikkonen, o finlandês de 23 anos da McLaren. Já o espanhol Fernando Alonso, de 21 anos, chegou em terceiro lugar com sua Renault, depois de ter largado na pole position. Assim como já tinha acontecido na Austrália, a Ferrari não ganhou. O melhor que conseguiu foi a segunda colocação de Rubens Barrichello, a 39 segundos do vencedor. O resultado do GP da Malásia, disputado neste domingo sob calor de 34 graus, no circuito de Sepang, tem relação direta com a adoção do novo regulamento, para a alegria de Max Mosley, o presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA). Foi a primeira vitória de Raikkonen e também foi a primeira vez que Alonso conseguiu a pole e chegou ao pódio.A presença da dupla da Renault, Fernando Alonso e Jarno Trulli, na primeira fila foi possível pela evolução do time e também por conta da imposição de definir o volume de gasolina para a corrida antes da classificação. Sob pressão na terceira posição do grid, Michael Schumacher quis passar Trulli de todas as maneiras, por saber que sua Ferrari poderia ser mais rápida, e provocou um acidente na largada. Os adversários já perceberam que, quando pressionado, Schumacher comete muitos erros. O pentacampeão recebeu uma pena pelo acidente na largada e conseguiu completar a corrida apenas em 6º lugar.Assim, sobrou espaço para os jovens talentos brilharem. Desses, Raikkonen e Alonso são os mais promissores. "Eu preciso esperar até amanhã para compreender melhor o que significa vencer o primeiro GP", disse o finlandês da McLaren. Já o espanhol, que liderou da largada até a 14ª volta, afirmou que a pole position no sábado e o pódio no domingo o fizeram passar "o melhor fim de semana da vida".Alonso ainda enfrentou outro problema. Ele terminou as 56 voltas da segunda etapa da temporada da F1 com febre alta. "Me sentia doente no carro, nas voltas finais, o câmbio automático tinha problemas, o que me obrigou a substituir as marchas. Não estava mais agüentando", declarou o espanhol.Raikkonen, que largou em 7º lugar, conseguiu escapar ileso do acidente provocado por Schumacher na curva 2 do circuito de Sepang. "Decidi ir por fora, vi os carros batidos vindo na minha direção e voltei para dentro da curva. Dei sorte em não me envolver", contou o finlandês. "O novo regulamento permite agora que largando em sétimo se possa pensar em vencer."O novo líder do campeonato fez referência também à não manifestação da "síndrome de perder a competição nas voltas finais". Foi assim na França, no ano passado, a quatro voltas da bandeirada, ao seguir reto no óleo deixado por Alan McNish, da Toyota, e este ano na Austrália, ao ultrapassar o limite de velocidade no box. Em ambos os casos, Raikkonen estava em primeiro lugar. "No meu segundo pit stop (40ª volta), me desloquei bem abaixo do permitido (80 km/h)", revelou. "A 20 voltas do fim, eu já administrava meu ritmo e a equipe pedia para reduzi-lo ainda mais. Fui obrigado a gritar com eles no rádio, vocês querem que eu pare o carro?" Com o segundo lugar em Melbourne e a vitória na Malásia, Raikkonen tem 16 pontos e lidera o campeonato, seguido do companheiro de McLaren, o escocês David Coulthard, que tem 10 após vencer na Austrália. Schumacher está apenas em terceiro, com 8 pontos, o mesmo de Alonso, Rubinho, Trulli e Juan Pablo Montoya, da Williams.Entre os construtores, mais surpresas. Com o modelo MP4/17D, de 2002, a McLaren, time da Michelin, ganhou as duas etapas já realizadas e lidera o Mundial com 26 pontos - a Ferrari tem 16. "Eu campeão do mundo? O campeonato tem ainda 14 provas, vamos estrear um novo carro, melhor que este, com certeza. Não quero pensar nisso, mas é meu objetivo", avisou Raikkonen.Ralf Schumacher, da Williams, também encontrou nas novas regras da F1 a explicação por ter chegado em quarto depois de largar em 17º. "Elas estão fazendo o seu papel, provaram ser válidas", afirmou o alemão. Agora, a Fórmula 1 viaja da Ásia para o Brasil, próxima etapa do Mundial, no dia 6 de abril. E a Ferrari tem a obrigação de reagir, assim como Schumacher - afinal, eles são os grandes favoritos ao título. Bom para a corrida de Interlagos, que reúne tudo para dar mais emoção ainda ao campeonato da F1, que há muito tempo não tinha tanto equilíbrio.

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