Shuji Kajiyama/AP Photo
Shuji Kajiyama/AP Photo

Webber recua e admite ajudar Vettel se necessário

Piloto australiano foi 174 milésimos de segundo mais veloz que o companheiro de equipe

Livio Oricchio, Enviado especial - O Estado de S. Paulo

12 de outubro de 2013 | 07h21

SUZUKA - Desta vez Sebastian Vettel não vai largar na pole position. Mesmo sem o sistema de recuperação de energia, Kers, com seus cerca de 80 cavalos extra de potência, o alemão da Red Bull inicia o GP do Japão na segunda colocação. O pole é o companheiro de equipe, Mark Webber, de despedida da Fórmula 1 no fim do campeonato, com o tempo de 1min30s915, à média de 229,9 km/h, 174 milésimos de segundo mais veloz que Vettel.

Nos treinos livres de sexta-feira no circuito de Suzuka, Webber e Vettel realizaram melhor simulação de corrida que todos os demais, como de hábito. Assim, parece ser difícil para Lewis Hamilton, da Mercedes, terceiro no grid, Romain Grosjean, Lotus, quarto, Felipe Massa, Ferrari, quinto, Nico Rosberg, Mercedes, sexto, Fernando Alonso, Ferrari, oitavo, e Kimi Raikkonen, Lotus, nono, lutarem pela vitória. “Mas são 53 voltas e tudo pode acontecer”, disse Webber.

De fato, pode acontecer de tudo na 15.ª etapa do calendário, em especial na largada. Vettel precisa vencer o GP do Japão para, se Alonso não ficar entre os oito primeiros, celebrar a conquista do tetracampeonato. E como é muito difícil ultrapassar nos 5.807 metros do maravilhoso traçado japonês, apesar das poucas áreas de escape, Vettel sabe que assumir a liderança na primeira curva será mais de meio caminho andado para receber a bandeirada em primeiro. E então aguardar a colocação final de Alonso.

O Estado perguntou a Webber se estará preocupado apenas consigo próprio ou se necessário trabalharia para a RedBull, a fim de facilitar a vitória de Vettel. Os dois têm um relacionamento dificil e por vezes agressivo. “Eu tenho somente de olhar para a frente. É duro ver os resultados que já perdi e me frustraram. Ficar olhando para trás te rouba energia. Tenho amanhã a minha última e grande chance (de vencer) em Suzuka quando encarar a primeira curva”, disse Webber.

O australiano de 37 anos, na Red Bull desde 2007, falou mais: “Sebastian (Vettel) teve um ano fenomenal. Eu vou disputar a minha corrida e ele a sua. Sebastian não pode largar sempre na pole”. Mas depois de afirmar que se preocuparia apenas com o seu trabalho, deixou em aberto a possibilidade de eventualmente atender ao pedido do diretor da Red Bull, Christian Horner, para, se preciso, deixar Vettel passar para vencer e ser campeão. "Nós falaremos sobre isso no fim da corrida. Nós discutimos essas questões mas elas raramente acontecem."

PRIMEIRA FILA

Numa demonstração de grande maturidade, Vettel confirmou que as dificuldades com o Kers na sessão da manhã se manifestaram na classificação também. "Não sou do tipo de procurar desculpas. O time está na primeira fila, o carro, fantástico todo o fim de semana, pudemos ir ao limite."

O alemão deixa-se levar pela emoção de pilotar em Suzuka. “Conduzir esse carro fantástico no setor 1 de Suzuka (onde encontram-se os dois esses de alta velocidade) é algo indescritível.” Vettel venceu em 2009, 2010 e 2012 e em 2011 ficou em terceiro, é um retrospecto notável em Suzuka. Na primeira tentativa de estabelecer seu tempo no final do Q3, a parte final da classificação, neste sábado, Vettel cometeu um erro na curva Spoon.

"Estava buscando o limite máximo. Hoje, porém, havia algumas rajadas de vento que tornaram as coisas mais difíceis. Errei, e erros acontecem.” Na segunda tentativa também atrasou demais a freada no Hairpin e perdeu tempo. Mas a exemplo de Webber está muito confiante quanto à corrida. “Nosso ritmo é muito bom."

Quem pensa que Hamilton estava descontente com o terceiro lugar engana-se. “Estou muito feliz com esse resultado. Havia tempo não dispunha de um carro tão rápido. Acontece que realisticamente é impossível superar esses dois caras (Webber e Vettel). Dispõem de um pacote melhor há muito tempo", falou o inglês campeão do mundo de 2008. “Meu carro de verdade estava excelente, portanto não posso imaginar sequer como deve ser o carro deles."

Como quase todos, Hamilton demonstrou preocupação com relação ao degaste dos pneus em Suzuka. O diretor da Pirelli, Paul Hembery, diz tratar-se do circuito onde os pneus mais são exigidos, pela presença de curvas longas e velozes e bruscas mudanças de direção. Essa é a razão de a Pirelli ter optado por seus pneus mais resistentes para o GP do Japão, duros e médios. “Administrar o desgaste dos pneus será a chave na prova”, comentou Hamilton. A largada será na próxima madrugada às 3 horas, 15 horas em Suzuka, cidade próxima a Nagoya, cerca de 400 quilômetros ao sul de Tóquio. O público este ano tem sido excepcional.

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