Williams cresce junto com Petrobras

O fim de semana em Ímola, na Itália, representou bem mais que a primeira vitória de Ralf Schumacher e da Williams na Fórmula 1, depois de quase quatro anos ausente da primeira colocação. O GP de San Marino foi, na realidade, o momento da virada de vários projetos da própria equipe e de seus importantes fornecedores. Mais: ficou no ar a nítida sensação de que daqui para a frente Ferrari e McLaren que se cuidem, pois a poderosa organização de Frank Williams e seus associados vêm para disputar o titulo já. Venceu na Itália a perseverança do dirigente inglês, que absorveu todas as críticas a seu departamento técnico, nos anos anteriores, e não alterou a dupla de projetistas, Gavin Fisher e Geoff Willis. "Part of the learning (parte do aprendizado)", costumava dizer Frank Williams para explicar, por exemplo, o fracasso dos modelos de 1998 e 1999. Ganhou a BMW, por ter conquistado o primeiro lugar já na 21.º corrida da sua volta à Fórmula 1, ano passado, depois de 14 anos distante do Mundial. "Esperava essa vitória só na segunda metade da temporada", afirmou Gerhard Berger, em Ímola. A Mercedes, principal concorrente da BMW, ingressou na Fórmula 1 com a Sauber, em 1994, para no ano seguinte passar para a McLaren. Apenas no GP da Austrália de 1997, ou seja, na sua 50.ª participação no Mundial, conquistou a primeira vitória. Outra empresa vitoriosa no GP de San Marino foi a Michelin. Desde que deixou a Fórmula 1, com o primeiro lugar de Alain Prost, na McLaren, no GP de Portugal de 1984, passaram-se 16 anos. Os franceses regressaram este ano a essas competições e, impressionantemente, seus pneus ganharam já na quarta corrida. "Compreendi no GP do Brasil (Juan Pablo Montoya, também da Williams, liderou 36 voltas da prova) que já tínhamos potencial para vencer", comentou Pierre Dupasquier, mítico diretor-técnico da Michelin. "Mas há apenas dois meses nós jamais imaginávamos que fosse possível." No Brasil sua imagem não é das melhores, mas na Fórmula 1 a Petrobras já fez o seu nome, ao fornecer à Williams cobiçada gasolina. Quatro equipes, e não três, como se pensava, procuraram a empresa para propor associação nos seus projetos técnicos e de patrocínio: BAR, Jordan, Jaguar e Arrows. O combustível usado pela Williams é desenvolvido no Centro de Pesquisa (Cenpes) da empresa, na Cidade Universitária, no Rio de Janeiro. Frequentemente suas qualidades são associadas ao impressionante desempenho do motor BMW, já aceito como o de melhor resposta de potência na Fórmula 1. Rogério Gonçalves, engenheiro da Petrobras responsável pelo programa técnico de Fórmula 1, disse que estava aliviado com o resultado de domingo. "Crescemos junto com a equipe nesses três anos e meio de parceria." A primeira vez em que o time inglês usou a gasolina brasileira foi no GP da Grã-Bretanha de 1998, em Silverstone. As características do petróleo extraído do solo brasileiro ajudam na qualidade do combustível. "Elas nos permitem selecionar hidrocarbonetos que garantem a obtenção de maior potência", diz o técnico. Os números não são oficiais, mas também não são desmentidos por Claudio Thompson, coordenador de investimentos na área esportiva. A Petrobras gasta cerca de US$ 1 milhão por temporada entre pesquisa, produção, transporte e armazenagem da gasolina da Williams, e outros US$ 2,8 milhões em patrocínio na equipe. Ralf Schumacher e Juan Pablo Montoya usam a marca BR na viseira do capacete, local de enorme exposição, nos espelhos do carro, na carenagem, pouco à frente do cockpit, além de os mecânicos nas operações de pit stop vestirem macacões amarelos, com o símbolo da empresa bem visível. "O contrato termina no fim de 2002 e não há cláusula de exclusividade com a Williams", conta Thompson. Dentro em breve, segundo Gonçalves, a Petrobras deverá dar outro importante passo técnico na Fórmula 1. "Desenvolvemos óleos lubrificantes para motor e câmbio que já estão em fase de testes." O engenheiro não comenta, por questões de sigilo comercial, mas sabe-se que uma escuderia, que não é a Williams, deseja usá-los ainda este ano. O time da Petrobras na Fórmula 3000, campeão ano passado com Bruno Junqueira, já utiliza com sucesso os óleos da empresa, pesquisado para as características da competição, que utiliza motores de 470 cavalos. "Tem sido um excelente aprendizado para ingressar com óleos na Fórmula 1", explica Gonçalves.

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