Williams faz demissões e contrata ex-espião da McLaren

Escuderia inglesa acertou com Mike Coughlan para comandar seu departamento de engenharia

AE, Agência Estado

03 Maio 2011 | 09h48

LONDRES - A Williams anunciou nesta terça-feira uma mudança em sua equipe técnica, adiantando que o diretor Sam Michael e Jon Tomlinson, chefe de aerodinâmica, irão deixar a escuderia ao final desta temporada da Fórmula 1. O time inglês ainda confirmou a contratação de Mike Coughlan para comandar o seu departamento de engenharia.

De origem britânica, Coughlan foi suspenso em 2007 por dois anos da Fórmula 1 após participar do escândalo de espionagem que envolveu a McLaren, pela qual trabalhava na época, e Nigel Stepney, ex-Ferrari, em um episódio que manchou a reputação da categoria e provocou a aplicação de uma multa de US$ 100 milhões à equipe inglesa. Na época, a McLaren também perdeu seus pontos no Mundial de Construtores após um dossiê com 780 páginas, com informações sigilosas da Ferrari, ser encontrado na casa de Coughlan.

A Williams, que hoje conta com o brasileiro Rubens Barrichello e o venezuelano Pastor Maldonado como seus pilotos titulares, anunciou a mudança com a intenção de alterar o quadro negativo que vive na Fórmula 1, na qual ainda não conquistou nenhum ponto neste ano e não comemora uma vitória desde 2004, quando o colombiano Juan Pablo Montoya venceu o GP do Brasil.

"Sam (Michael) e Jon (Tomlinson) são pessoas talentosas que trabalharam duro pela Williams durante dez e cinco anos, respectivamente. No entanto, eles reconheceram que o desempenho da equipe não está no nível que deveria ser e se demitiram para dar à equipe a oportunidade de empreender as mudanças necessárias para voltar ao topo do grid", afirmou Frank Williams, chefe e fundado da equipe que leva o seu sobrenome, ao justificar as demissões.

O dirigente também festejou a chegada de Coughlan à escuderia, lembrando que o seu novo engenheiro aprendeu com os erros cometidos no passado. "Coughlan é um bom engenheiro com vasta experiência na F1 e também na engenharia civil e de defesa. Ele deixou a F1 em 2007 por conta da conduta que ele reconheceu que estava errada e ele se arrepende profundamente. Seus dois anos de banimento do esporte terminaram há algum tempo, e Mike está determinado a provar (sua competência) a si mesmo novamente", enfatizou Williams.

Já Coughlan agradeceu à oportunidade que recebeu da Williams na Fórmula 1, categoria na qual começou a sua carreira pela Lotus e passou por Tyrell, Ferrari e Arrows antes de se transferir para a McLaren em 2002. Fora da F1 desde 2007, ele vinha trabalhando no projeto de carros do exército britânico e também para uma equipe da Nascar, famosa categoria do automobilismo norte-americano.

"Sou grato à Williams por me dar essa oportunidade. Minha experiência em 2007 foi de mudança de vida. Desde então, tenho me esforçado para colocar minhas habilidades em uma boa utilização no projeto do Ocelot, veículo cujo objetivo é transportar soldados. Também gostei da minha passagem com a Michael Waltrip Racing (na Nascar), eles são uma equipe excelente e desejo-lhes felicidades no futuro", disse Coughlan, antes de prometer que a Williams voltará a brigar pelas primeiras posições na F-1.

"Agora estou ansioso para voltar ao esporte que amo e por me unir à equipe que eu tenho admiração por muitos anos. Vou me dedicar à equipe e garantir que voltaremos a ser competitivos, respeitando os padrões éticos que sempre foram o sinônimo da Williams", enfatizou.

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