Williams foi a surpresa em Hockenheim

Juan Pablo Montoya, da Williams, terminou em segundo o GP da Alemanha, mas se existisse o troféu Gilles Villeneuve na Fórmula 1, para premiar o piloto que realizou a ultrapassagem mais espetacular da prova, neste domingo, ele seria do colombiano. O duelo entre Montoya e Kimi Raikkonen, da McLaren, na décima volta, pela quarta colocação, foi o melhor momento do GP da Alemanha. O colombiano pilotou ao estilo Gilles Villeneuve e, na base do arrojo e coragem, deixou o também combativo finlandês para trás. A Williams acabou sendo a boa surpresa da prova. "Eu não esperava o bom ritmo deles", confessou Barrichello, que não conseguiu ultrapassar Raf Schumacher, para tentar ser segundo e depois, no fim, terceiro. Já a McLaren, depois do apresentado no GP da França, decepcionou. E, pior, na frente dos que desejavam ver a Mercedes, sócia da McLaren, obter outro bom resultado como o convincente segundo lugar de Raikkonen em Magny-Cours. A montadora alemã investiu bom dinheiro para construir uma superaquibancada no novo circuito, mas na pista David Coulthard, companheiro de Raikkonen, classificou-se em quinto, com uma desmoralizante volta de atraso em relação à Ferrari. Raikkonen abandonou na 59ª volta, depois que um estouro de pneu comprometeu seu carro na 37ª volta. Raikkonen bateu na curva de entrada dos boxes. Para piorar a imagem da Mercedes, a BMW, parceira da Williams, colocou seus dois pilotos no pódio, com a segunda colocação de Montoya e a terceira de Ralf. Montoya comentou o duelo empolgante com Raikkonen, no início, pelo quarto lugar. "Eu estava mais rápido que ele. A equipe me avisou pelo rádio que poderia exigir mais do meu motor porque eles aumentaram o limite de giros, a fim de me dar ainda mais potência." Os dois pilotos percorreram juntos, lado a lado, boa parte da secção localizada entre a curva 6, o hairpin, e a 12, que define a entrada no estádio, onde localizam-se a maior parte das arquibancadas. Eles chegaram a tocar rodas. Na curva 12, percorrida em quarta marcha a cerca de 220 km/h, Montoya estava por dentro e Kimi chegou a colocar as rodas do lado esquerdo na grama, rendendo caro a ultrapassagem. Foi só na freada seguinte, curva 13, que o piloto da Williams ganhou, finalmente, a quarta colocação. "Eu consegui ganhar o quarto lugar na largada, mas Montoya estava mais rápido. Tivemos uma grande batalha", falou Raikkonen. A disputa recordou a luta entre René Arnoux, da Renault, e Gilles Villeneuve, Ferrari, no GP da França de 1979, no circuito de Dijon-Prenois, pela segunda colocação. Deu Gilles. Mais tarde, a forma como Raikkonen levou de volta sua McLaren para os boxes, depois de um estouro espetacular do pneu traseiro esquerdo, lembrou também o sempre ousado Gilles Villeneuve. O finlandês foi deixando pedaços da McLaren pelo caminho mas chegou aos boxes e ainda retornou à competição, como fez algumas vezes o piloto canadense, a exemplo de sua reação no GP do Canadá de 1981, disputado sob chuva. Gilles regressou aos boxes com o aerofólio dianteiro da sua Ferrari sobre seu capacete. Substituiu-o e ainda terminou em terceiro. Com o resultado deste domingo, a Williams aumentou sua diferença para a McLaren no Mundial de Construtores, agora com 76 pontos, em segundo, diante de 49 da McLaren. A Ferrari está bem na frente, com 141 pontos. Entre os pilotos, Montoya chegou a 40 pontos, com os 6 deste domingo, e Ralf a 36, com os 4. Barrichello caiu para quarto na classificação, com 35 pontos. Os três lutam pelo vice-campeonato. Schumacher já soma 106.

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