Williams passa por crise com a BMW

Nem todos se lembram, mas a Williams foi a Ferrari dos anos 90. Foi campeã do mundo com Nigel Mansell em 1992, Alain Prost em 1993, Damon Hill em 1996 e Jacques Villeneuve em 1997, além de conquistar cinco títulos de construtores. A opinião é unânime: a Williams foi a melhor equipe da década. Hoje vive uma crise sem precedentes com sua fornecedora de motores e patrocinadora, a BMW. Apesar do contrato assinado com a montadora alemã até 2006, Frank Williams negocia abertamente com Honda, Toyota e Renault, com quem já foi campeão. Neste domingo, no GP do Canadá, suas chances de vitória são como nas demais corridas este ano: Nick Heidfeld ou Mark Webber vencem apenas se os pilotos da McLaren e Renault tiverem problemas em seus carros. "Vamos estrear uma nova versão do FW27 no GP da França (10ª etapa, no dia 3 de julho) que é, na realidade, quase um novo carro", diz o diretor-técnico da Williams, o australiano Sam Michael. Mas, a partir daí, o desenvolvimento do FW27B passa a correr paralelamente ao projeto do modelo para 2006. "Por isso é fundamental que saibamos com qual motor vamos correr", lembra o engenheiro. É exatamente isso o que exigiu Frank Williams de Mario Theissen, diretor da BMW, sexta-feira no circuito Gilles Villeneuve, onde a partir das 14 horas será disputada a oitava prova do campeonato, em Montreal. Durante horas os dois estiveram reunidos. Frank Williams quer saber com precisão já o que a BMW pretende da vida: honrar seu compromisso com a Williams ou transferir todos os seus planos para a modesta Sauber. O que se sabe também é que Frank Williams e seu sócio Patrick Head impuseram uma condição à mais alta instância diretiva da BMW: se for para continuar, que seja sem Mario Theissen, a quem Head definiu como "desonesto". Com freqüência o engenheiro alemão expõe publicamente que a falta de resultados da Williams-BMW se deve apenas "à incapacidade de a equipe produzir um chassi eficiente". Frank Williams negocia o fornecimento de motores com a Honda, marca do Mundial de 1987, com Nélson Piquet, e Renault, montadora das muitas conquistas na década de 90. "Na Fórmula 1 tudo é possível", afirmou Flavio Briatore, diretor da Renault, embora as chances sejam poucas por conta de a Williams poder vir a ser adversária direta da montadora francesa, em fase excepcional no campeonato. A indefinição sobre o motor a ser usado em 2006 tem de ser resolvida o mais breve possível, segundo o engenheiro Rogério Gonçalves, da Petrobras, responsável pelo controle da gasolina fornecida. "Temos de iniciar os testes com nosso combustível, conhecer as características do motor e eles a do nosso produto", explica. A partir de 2006, os motores na Fórmula 1 serão V-8 e não V-10, como hoje, e 2,4 litros em substituição aos 3,0 litros de agora. A Petrobras é parceira técnica da Williams e, como a BMW, patrocinadora. Seu investimento no projeto de Fórmula 1, entre desenvolver gasolina e a aquisição de espaço publicitário no carro, é estimado em US$ 9 milhões por ano. "Claro que para nós essas situações de indefinição também não são boas, em todos os sentidos", diz Rogério Gonçalves.

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