Williams perde "corrida ganha" em Spa

As tradicionais ?vídeo-cassetadas? veiculadas em programas de TV ganharam um quadro a mais neste domingo: a trapalhada da equipe Williams no Grande Prêmio da Bélgica de Fórmula 1 . Quando a corrida estava prestes a se reiniciar, depois do grave acidente de Luciano Burti, os mecânicos deixaram o carro de Ralf Schumacher, segundo no grid, sobre dois apoios, com as rodas no ar. "Vi meu irmão daquela forma, ao meu lado, e perguntei a mim mesmo o que era aquilo, não estava entendendo", falou Michael Schumacher. O piloto da Ferrari confirmou: "Fiquei desapontado por ele, mas devo admitir que não sei se conseguiria acompanhar o seu ritmo se ele tivesse largado na minha frente." Gerhard Berger, diretor da BMW, fornecedora de motores da Williams, foi claro: "É melhor eu não falar nada agora. Vou para minha casa dormir e amanhã, quando acordar, vou refletir no que se passou e pedir providências." Ralf comentou: "Temos tanto a aprender com o que se passou hoje." Ficou no ar a nítida impressão para todos no circuito de Spa-Francorchamps, depois do treino de classificação, sábado, em que os pilotos da Williams impuseram enorme vantagem a todos os demais, que a corrida, salvo equívocos, estava ganha. Esse equívocos ocorreram. E foram tantos que a Williams conseguiu, depois de muito esforço, perder o GP da Bélgica.Juan Pablo Montoya, da Williams, ficou parado no grid, na segunda volta de apresentação, já que a primeira não valeu por causa de uma pane no câmbio da Prost de Heinz-Harald Frentzen. Em vez de largar na pole position, o colombiano caiu para último. Na terceira largada deu-se o episódio com Ralf. "A equipe teve de trocar um dos perfis da asa traseira, que estava partido", disse um técnico do time inglês. Os mecânicos começaram a trabalhar no modelo FW23 de Ralf, ainda no grid, pouco antes da terceira largada. Eles tinham até 15 segundos antes da nova volta de apresentação para concluir o trabalho."Erraram por pouco", avaliou o técnico. Os mecânicos conseguiram retirar os dois macacos, mas não tiveram tempo de se abaixar, antes, e puxar os dois calços que mantinham a Williams no ar. "Seríamos punidos com um stop and go se ultrapassássemos os 15 segundos de limite", disse a fonte. Nesse compromisso, os estrategistas da Williams concluíram que seria "menos danoso" às chances de um bom resultado largar em último, como foi obrigado a fazer Ralf. "Quantos erros", disse o alemão. Ele chegaria ainda em sétimo. Montoya abandonaria com o motor quebrado ainda na sexta volta. "Tudo o que fizemos de certo no sábado, que nos deu as duas primeiras colocações no grid, fizemos de errado hoje", afirmou Patrick Head. "Ficou claro que temos ainda muito a aprender."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.