Zebra causa polêmica em treino da F-1

Em condições normais, os pilotos passam sobre as zebras e seguem seus treinos ou corridas. Nesta sexta-feira, no entanto, David Coulthard, da McLaren, colocou as rodas do seu carro sobre a zebra na saída da curva 11 do circuito de Hungaroring e nada seguiu o roteiro clássico dessas manobras. Além de não poder mais treinar o dia todo, perdendo tempo precioso para ajustar seu chassi, numa prova decisiva do campeonato, o modelo MP4/16 da McLaren teve danificados o monocoque, assoalho, componentes da transmissão, parte significativa do conjunto elétrico e perda de lastro, dentre outros danos menores. Total de prejuízo: cerca de US$ 60 mil. Até o ano passado, os pilotos usavam a zebra de saída da curva 11 como pista. Ocorre que na maioria das vezes a roda traseira esquerda avançava além da zebra e lançava sobre o asfalto volume considerável de terra. Resultado: a pista ia se tornando mais lenta, pela perda de aderência provocada pela terra. Este ano o delegado de segurança da F-1, Charlie Whiting, orientou que essa zebra crescesse cerca de 7 centímetros, na sua porção mais distante do asfalto. O objetivo era evitar que fosse usada como pista. "Errei, admito, mas não faz sentido ser penalizado dessa forma", reconheceu Coulthard, inconformado. Seus mecânicos iniciaram a montagem de um novo carro pouco antes das 11 horas e o concluíram já próximo da meia noite. "Pegamos o monocoque reserva e componente a componente estamos montando um novo conjunto para o David", disse Jô Ramires, coordenador da McLaren. "O motor, tanque, as suspensões dianteiras, pedais, painel, banco, tudo é conectado ao monocoque", explica. "E todo o bloco traseiro, onde estão a transmissão e as suspensões traseiras, se prende ao restante do monoposto através do motor, que é também elemento estrutural do chassi." O veterano técnico dá até idéia do valor do estrago causado pelo erro de Coulthard e a questionável zebra. "O monocoque poderá ser reparado, felizmente, e por isso mesmo custará apenas US$ 20 mil", conta. O assoalho foi despedaçado e vale US$ 12 mil. O carro parou porque a fiação foi cortada e a transmissão danificada. "No mínimo serão gastos US$ 10 mil para remontar a parte elétrica e outros US$ 10 mil, em princípio, com a transmissão." A McLaren perdeu discos de aço de elevada densidade, usados como lastro para atingir o peso mínimo de 600 kg, com o piloto, exigido pela regulamento. "No total, por baixo, as despesas atingirão uns US$ 60 mil" avaliou Jô Ramirez, que depois de 28 anos faz, agora, sua última temporada na F-1. O sócio e diretor da McLaren, Ron Dennis, lamentou que uma zebra pudesse comprometer ainda mais a já quase impossível missão de seu piloto, Coulthard, de tentar reverter a enorme vantagem de Michael Schumacher no Mundial. À noite, depois que os pilotos decidiram, em conjunto com Charlie Whiting, refazer a zebra, vários funcionários da organização do GP da Hungria trabalhavam para abaixar sua porção mais elevada. O espanhol Pedro de la Rosa, da Jaguar, comentou: "Prefiro a terra do ano passado sobre o asfalto a ver os pneus do meu carro estourados por causa de pedaços de fibra de carbono dos assoalhos dos que passarem sobre aquela zebra." Luciano Burti, da Prost, foi uma dessas vítimas. Ele percorreu os 3.975 metros do traçado de Budapeste, logo em seguida ao incidente com Coulthard, e teve um dos pneus furados por pedaços da McLaren.

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