André e Dante vão jogar no exterior

A cada ano, o número de atletas brasileiros que trocam a Superliga por campeonatos no exterior aumenta, principalmente por causa dos contratos em dólar. Na próxima temporada, dois novatos da seleção brasileira deixarão o País para atuarem na Grécia e na Itália. André Nascimento, de 23 anos, que chegou à seleção adulta somente no ano passado, pelas mãos do técnico Bernardo Rezende, o Bernardinho, jogará no Panathinakos, da Grécia. E Dante, de 21 anos, aposta do ex-técnico Radamés Lattari (disputou a Olimpíada de Sydney, em 2000) deixou o atual campeão brasileiro Telemig/Minas para defender o tradicional Modena, da Itália. "Tenho certeza que para os dois será muito importante. Terão responsabilidade maior em suas equipes, já que o estrangeiro é contratado para decidir", observou o técnico da seleção brasileira Bernardinho, que, no entanto, não "aprova" a troca da Superliga por torneios considerados fracos tecnicamente como o do Japão, da Grécia, da Bélgica... "O Campeonato Italiano é o mais forte do mundo e uma boa opção para os brasilerios. Mas não vale a pena, para atletas jovens, deixar o nosso torneio para jogar em competições fracas. Único crescimento que terão é o da conta bancária. Uma prioridade, que isolada, não é correta. Explica que esse não é o caso de Anderson, de 28 anos, e Gílson, de 34 anos, por exemplo, que renovaram respectivamente com o NEC e o Suntory, do Japão. "O Anderson teve oportunidade de jogar no exterior mais tarde, com a idade um pouco mais avançada, e tem de aproveitar." André, que jogará ao lado de Cleber, ex-Suzano, e Murek Dawid, da Polônia, disse que a Grécia é só um degrau para chegar ao Campeonato Italiano - o assistente-técnico de Bernardinho, Chico dos Santos, recebeu convite para ser o treinador da equipe grega, mas não irá. "É só um passo para eu sentir como é jogar lá fora. Quero muito poder disputar o Italiano, quem sabe já na temporada seguinte", comenta André, que diz querer buscar experiências diferentes na vida profissional e pessoal. Para Bernardinho, Giba, que jogará pela segunda temporada seguida no Ferrara, cresceu tecnicamente atuando na Itália - "ganhou segurança em algumas bolas" -, assim como Gustavo, que agora só saca "viagem" e, atualmente, é o melhor no fundamento dentre os brasileiros. O meio-de-rede que tinha como certa a transferência para o Sisley Treviso, continuará em Ferrara. Não houve acordo entre as duas equipes em relação ao valor da rescisão de contrato. Além de Dante, Giba e Gustavo, Nalbert, capitão da seleção, também jogará na Itália: voltará ao Macerata, após fraca temporada com o Panasonic, no Japão. "Já tive a oportunidade de ir antes, mas não queria jogar na Itália sem ter, pelo menos, o título brasileiro", conta Dante, que terá como companheiros de time o levantador Ball (Estados Unidos), o ponteiro russo Iakovlev e os italianos Gardini, Bovolenta e Cantagalli. O jogador brasileiro vai até antecipar o casamento para setembro com a namorada Sibele, de 19 anos. "Não acho precipitado. Quero ir com ela, a mulher certa para mim." Os outros atletas da seleção defenderão times brasileiros: Maurício e Henrique renovaram com o Minas. Rodrigão jogará no Banespa, ao lado de Escadinha. Ricardinho transferiu-se para a Ulbra, Marcelinho e Giovane atuarão no Suzano e André Heller permanecerá na Unisul. "Estrangeiros" - O atacante Kid, ex-seleção brasileira, está de volta. Após cair nas semifinais do Campeonato de Porto Rico (dez equipes), com o Vaqueros/Bayamon, disputará a Superliga pela Unisul. O time de Florianópolis havia diminuído seu salário por contenção de gastos e em troca liberou-o para atuar em Porto Rico - o torneio pode terminar amanhã: Lares/Patriotas lidera a série melhor-de-sete contra o Naranjito/Changos por 3 a 2. O destaque entre os estrangeiros é o espanhol Rafael Pascual, no Playeros de San Juan. Pascual foi dispensado da disputa da Liga Mundial. "Os brasileiros sempre foram requisitados, mas hoje surgem propostas de vários países difentes", comenta o empresário Jorge Assef, que cita como a mais "esquisita", para Pinha (também ex-seleção). "Era da Bulgária, mas não aceitou os US$ 35 mil. Preferiu ir para Bento Gonçalves, ganhando menos, mas com a mulher, que está grávida". Afirma que vários de seus atletas já foram sondados por alemães, austríacos, turcos. Há brasilerios também atuando em Portugal, França, Espanha (Axé, ex-Toray, do Japão), Bélgica (João Paulo, ex-Unisul), na segunda divisão italiana (Joel, ex-Brescia, vai para o Lanezia; Rodrigo Gil, que jogava no Ferrara, atuará no Forlí)... em todo canto do planeta.

Agencia Estado,

14 Agosto 2002 | 19h14

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