Priscila Nóbrega / Sesi Bauru
Priscila Nóbrega / Sesi Bauru

Após quatro meses, Polina já lidera principais estatísticas do vôlei feminino

Atleta de 29 anos que se naturalizou pelo Azerbaijão é a maior pontuadora da Superliga Feminina

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2020 | 15h00

Quando foi apresentada como um dos grandes reforços do Sesi/Bauru, em setembro do ano passado, a oposta Polina Rahimova afirmou que queria se adaptar rapidamente ao vôlei brasileiro. Ela precisou de menos de quatro meses. No início do segundo turno da Superliga Feminina, a atleta de 29 anos, considerada uma das melhores atacantes do mundo, já lidera as principais estatísticas do torneio.

Rahimova é a maior marcadora da competição, com 257 pontos em 48 sets, o que representa uma média 5,35. A segunda colocada é a oposta Tandara, do Sesc RJ, com 184 pontos em 36 sets (média de 5,11). Polina também é uma das recordistas de aces (26) e a segunda melhor sacadora, com média de 0,54 aces por partida. No quesito, a líder é a central Lara Nobre, também do Sesc RJ, com média de 0,6.

“Estou bem adaptada. Surgiram algumas dificuldades no início, o que é normal, mas os estrangeiros têm de se encaixar. Para mim, não foi difícil. Os fãs também me ajudaram na adaptação”, afirma a descendente de ucranianos que nasceu no Uzbequistão, mas se naturalizou no Azerbaijão. “Ser a maior pontuadora significa que estou fazendo bem meu trabalho”, completa a atleta de 1,98m.

Durante cinco anos, a atleta foi recordista de pontos em uma só partida. Em 2015, quando atuava no Japão, ela marcou 58 pontos. No ano passado, a compatriota Jana Kulan fez 60 pontos e quebrou o recorde, porém em um jogo que tinha um set a mais.

Rahimova diz que está aprendendo com as brasileiras a ser mais calma e tranquila. Normalmente, ele ficava mais “pilhada” nos jogos. Por outro lado, ela contribui com o poder de finalização. “Ela é uma definidora nata. Ela tem ensinado um pouco do voleibol do Leste Europeu e nós estamos ensinando o nosso. Com isso, o voleibol brasileiro fica mais versátil”, explica o treinador Anderson Rodrigues.

Hoje, o Sesi Bauru, campeão paulista e semifinalista da Superliga na última temporada, ocupa a quinta posição no torneio feminino. Em 14 hogos, a equipe venceu oito e perdeu seis. O líder é o Sesc RJ com apenas uma derrota em 14 jogos.

Rahimova iniciou a carreira no Azerbaijão, atuando no período de 2005 a 2014. Ela passou por times da Coreia do Sul, Japão, Itália e Turquia, onde defendeu o THY, sua última equipe antes de assinar contrato de um ano com o Sesi Bauru. Ela conta que tinha o sonho de jogar no Brasil, que tem um dos torneios mais fortes do mundo, em sua opinião.

“O Japão foca na defesa já que não tem muitas jogadoras altas. O Brasil se destaca pela paixão e pelo sentimento de nunca desistir. Na Itália, os times são mais técnicos. A Turquia está crescendo bastante com a presença de estrangeiros”, compara a azeri.

A adaptação com as companheiras também tem sido rápida fora das quadras. Nas poucas horas de lazer, já visitou cidades do interior de São Paulo (Brotas e Holambra), pontos turísticas da capital (Parque Ibirapuera, Avenida Paulista e o bairro da Vila Madalena) e de outros estados, como o Rio de Janeiro.

A azeri gosta de livros de psicologia, histórias fantásticas, com fantasia e ciência, programas de entretenimento da Rússia (ela os assiste pelo You Tube), quebra-cabeças e de gastronomia. Na cozinha, ela aprecia churrasco e as frutas brasileiras. Gosta quase de todas.

 

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