Márcio Rodrigues / Megafoto
Márcio Rodrigues / Megafoto

Após título no circuito brasileiro, Bárbara e Fernanda Berti miram a Olimpíada

Dupla aposta no entrosamento e na estrutura de trabalho para conquistar vaga nos Jogos de Tóquio

Luis Filipe Santos, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2019 | 04h30

Não estava no planejamento inicial da temporada, mas a dupla de vôlei de praia formada por Bárbara Seixas e Fernanda Berti conseguiu alcançar o título do circuito brasileiro. Agora, com auxílio de uma grande equipe, as duas miram o circuito mundial, que começou nesta madrugada na China – elas estreiam amanhã – e funcionará como classificatório para decidir quais serão as duas duplas brasileiras na Olimpíada de Tóquio.

“Teve um gostinho de primeira vez. Foi meu primeiro título com a Fernanda. Sabia que o processo seria gradativo, e agora adquirimos o entrosamento, estamos jogando em alto nível”, conta Bárbara, que já havia sido bicampeã do Circuito Brasileiro anteriormente, mas ao lado de Ágatha.

A dupla se formou em 2016, após a final da Olimpíada do Rio, quando Bárbara e Ágatha foram prata. Na sequência, elas se separaram e Bárbara formou dupla com sua conterrânea carioca. “Quando acabaram os Jogos, ela era a minha primeira opção de dupla. No começo foi difícil, não encaixamos dentro nos jogos. Não tínhamos problema fora, mas demorou a engrenar”, conta Fernanda.

Ela era atleta do vôlei de quadra até 2012, quando foi para a praia, na tentativa de realizar o sonho de ir para uma Olimpíada. Agora, confia no trabalho feito e na química que tem com Bárbara para ir a Tóquio. “Ela tem uma característica muito forte de inteligência emocional, e nós conversamos e nos ajudamos muito”, diz.

Bárbara concorda com essa visão. “Ela é uma bloqueadora, eu sou uma defensora, mas, para jogar com ela, tive que me reinventar como atleta. Nosso esporte lida muito com o mental, então é necessário ter essa força”, relata.

No início da temporada, não estava no planejamento da comissão técnica das duas brigar pelo título do circuito brasileiro. Mas, com o adiamento de uma etapa do Circuito Mundial, as duas tiveram uma pré-temporada mais longa e conseguiram entrar forte na disputa. Na última etapa, em Natal (RN), Bárbara e Fernanda Berti já lideravam, mas outras três duplas tinham chance de conquistar o torneio. Entretanto, as duas vecenream a etapa e se sagraram campeãs.

COMISSÃO

Além do técnico Rico de Freitas, as duas trabalham com uma comissão técnica composta por 11 pessoas. A aposta é que o trabalho dos profissionais ajude na evolução em todos os aspectos. “São fundamentais, importantes para nos ajudar com a parte física, técnica, mental, análise, tudo”, relata Bárbara.

Segundo Rico de Freitas, parte fundamental vem da análise de desempenho. “No alto nível, as duplas se conhecem muito e têm nível muito parecido. Por isso, um pequeno detalhe que se capta na análise pode fazer a diferença entre ganhar e perder um jogo, entre ser campeão ou não”, afirma o treinador.

O Brasil tem vagas para duas duplas femininas na Olimpíada de Tóquio. A definição das classificadas será por meio do Circuito Mundial. Irão as duas duplas que pontuarem mais nas duas etapas consideradas 'cinco estrelas' – Gstaad e Viena – e nas oito 'quatro estrelas'.

Apesar do título recente, Bárbara e Fernanda sabem que a disputa não será fácil. “Está uma loucura, o vôlei de praia vem se tornando cada vez mais homogêneo, com cinco times muito equilibrados aqui no Brasil. Tem a Ágatha e a Duda, a Maria Elisa e a Carol, a Ana Patrícia e a Rebeca, a Taiana e a Talita e a gente. Aqui no Brasil é impossível dizer que uma é mais forte”, acredita Fernanda.

No panorama mundial, duplas de países ‘inesperados’ tem começado a evoluir no esporte, como República Checa e Canadá, se tornando páreo duro para times de países tradicionais Estados Unidos e Brasil.

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