Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Aposentada, Fofão quer trabalhar na formação de novas levantadoras

Aos 45 anos, jogadora encerrou a vitoriosa carreira no vôlei

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

15 de maio de 2015 | 12h53

Aos 45 anos, Fofão abandona a rotina de atleta para resgatar a "vida normal" de Hélia Rogério de Souza Pinto. Após sua última partida oficial pelo Rexona-Ades no domingo passado (10), a ex-jogadora vê um caminho aberto pela frente, mas se engana quem pensa que ela descarta o vôlei de seus planos. Atualmente, a oportunidade de trabalhar na formação de novas levantadoras é o que mais chama a sua atenção.

Fofão também não rejeita a ideia de virar treinadora, mas prefere deixar essa opção em aberto para o futuro. "Tudo precisa de uma preparação. Eu continuaria na mesma rotina e agora, para mim, não seria uma coisa que tenho vontade. Futuramente tenho vontade de ter essa experiência, até para saber como reajo, se me adapto."

A sua vida pessoal também passa a virar prioridade nos próximos anos. A ex-jogadora e o marido/empresário João Marcio já planejam aumentar a família. "A gente sempre pensou, mas não teve oportunidade de realizar porque o voleibol sempre foi prioridade. Agora com tanto tempo livre, a gente está pensando, sim", disse em visita aos estúdios da Rádio Estadão nesta sexta-feira.

POLÊMICAS

Experiente, Fofão tem grande influência no mundo esportivo e se preocupa com o futuro da sua modalidade. Diante das denúncias de corrupção na Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) em 2014, ela conta que temeu a perda da estrutura conquistada ao longo dos anos e disse que os atletas ficaram "envergonhados" pelo escândalo. "Temos a oportunidade de reconstruir a imagem do voleibol. Atletas, ex-atletas e treinadores estão se empenhando para que as pessoas olhem e não fiquem com o pé atrás", explica.

Ela também acredita que os jogadores têm um papel importante na luta contra o racismo. Apesar de nunca ter sido vítima de insultos racistas, ela lamenta que não haja um trabalho contínuo no combate ao preconceito. "Existe aquela coisa muito do momento, todo mundo se revolta, mas depois acaba. Todo mundo esquece e acontece com outro jogador. Não é uma coisa que se dá continuidade. É uma culpa nossa também dos atletas que não vão em frente com isso", avalia. A última vítima foi Fabiana Claudino, central do Sesi-SP e capitã da seleção brasileira, em janeiro deste ano.

TRANSFORMAÇÃO E DESPEDIDA

A ex-atleta acompanhou de perto a transformação do esporte ao longo dos anos. Para ela, as jogadoras hoje têm funções muito específicas e perderam um pouco da qualidade técnica de suas companheiras da década de 90. "Algumas funções mudaram e tecnicamente ficaram um pouco limitadas. Mas acredito que devido também à evolução do voleibol, as regras mudaram, a gente se adaptou a isso e é o que está acontecendo", afirma.

A mudança também é observada por ela nos vestiários. Fofão reconhece que as jogadoras estão muito mais vaidosas e relembra sua passagem pelo Fenerbahçe, na Turquia, onde as companheiras adoravam usar maquiagem, destacando que esse é um comportamento adotado mundialmente.

O encerramento de uma carreira de 30 anos no vôlei merece um ponto final com muita festa. Para isso, Fofão reunirá três gerações vitoriosas no dia 24 (domingo), às 11 horas, no Complexo Poliesportivo Lauro Gomes, em São Caetano do Sul. Para garantir um ingresso, basta trocar 1kg de alimento não-perecível a partir da próxima quarta-feira, das 9h às 18h, no mesmo local da partida.

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