Argentina: Mundial de vôlei ameaçado

A crise econômica e política da Argentina ameaça a realização do Mundial Masculino de Vôlei no País, entre 28 de setembro e 13 de outubro, e atinge até mesmo os jogadores da seleção brasileira. O prêmio de US$ 100 mil, pelo título da Copa América, ganho em outubro, em Buenos Aires, está retido no Banco Central argentino. Após várias cartas, uma delas mal-educada, a Confederação Brasileira (CBV) obteve da Federação Argentina (FAV) a confirmação de que o dinheiro não pode ser liberado, por causa do confisco do governo e a promessa de que o Brasil será pago, mas só em junho. Os próprios jogadores argentinos estão recebendo os seus prêmios referentes a última temporada em cinco parcelas - o último cheque só poderá ser descontado em fevereiro. "A ESPN Internacional pagou pelos direitos de transmissão, mas Mario Goijman (presidente da FAV) não repassou imediatamente o valor dos prêmios. O grande problema é que esse dinheiro é dos jogadores", confirma o presidente da CBV, Ary Graça que somente na segunda-feira recebeu um telefonema de Goijman, garantindo que a verba chegará via FIVB. Goijman, está em Lausane, na Suíça, sede da FIVB, para um encontro da comissão de regra de jogo, e até já arrancou uma declaração de Rubén Acosta, dirigente máximo do vôlei internacional, de que "confia na capacidade da Argentina em promover o Mundial". Mas, o pronunciamento do dirigente veio acompanhado de precaução. A FIVB vai mandar, na primeira quinzena de março, uma comissão especial para verificar, nos locais, as verdadeiras condições das cidades-sedes (Rosário, Mar del Plata, Catamarca, Santa Fé, Buenos Aires e Salta) o que, por si só, mostra que o torneio está ameaçado. Japão, Itália e Brasil - que têm vôlei organizado, patrocínio, ginásios disponíveis (com os ajustes necessários) e tevê - seriam os países que poderiam substituir a Argentina. "Até agora ninguém me procurou", afirma Ary, que se mantém na expectativa de uma "liquidação" do campeonato. O Brasil já pagou US$ 500 mil de taxa à FIVB para ser a sede da final da Liga Mundial, de 10 a 18 de agosto. E não tem planejamento para pagar também pelo Mundial, a ser organizado 45 dias depois. "O Brasil tem todas as condições e aí, inclusive, o ?defeito de dar um jeitinho em tudo? vira virtude nessa hora. O Japão, por exemplo, precisaria de quatro anos para fazer um torneio", frisa Ary. Ele prefere não se manifestar, por enquanto, sobre a possibilidade concreta de herdar o Mundial. Para o levantador Weber, da seleção argentina, não jogar o Mundial no seu país seria uma enorme frustração. Programou para esta competição sua despedida das quadras - no próximo ano, trabalhará como técnico e já garantiu o cargo na Unisul, o clube de Florianópolis, em que atua. "Quero encerrar minha carreira na Argentina e se o Mundial for realizado em outro lugar, não vou." Weber confirma que está recebendo os prêmios do ano passado pela seleção, de cerca de US$ 3 mil, em prestações - o quinto e último cheque, pré-datado, será sacado no mês que vem. "Mas o dinheiro ficará preso, porque minha conta é na Argentina." Weber está preocupado com a crise de seu país, mas espera que até outubro a situação melhore. "Está difícil de acreditar."

Agencia Estado,

15 de janeiro de 2002 | 22h09

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