Alexandre Arruda/Divulgação - CBV
Alexandre Arruda/Divulgação - CBV

Ary Graça cai em contradição e agora diz que houve intermediação no contrato

Em entrevista ao jornal Lance!, ex-presidente da CBV se diz traído e afirma que denúncias são parte de uma 'briga pelo poder'

25 de março de 2014 | 16h53

SÃO PAULO - Ary Graça Filho, o presidente da Federação Internacional de Vôlei e ex-presidente da CBV (de 1997 até o último dia 14), deu a primeira entrevista após a eclosão da crise na Confederação Brasileira de Vôlei, para o jornal Lance!.

Uma série de reportagens da ESPN Brasil revelou que a CBV havia se comprometido a pagar R$ 20 milhões para as empresas S4G e SMP por intermediação de um contrato de patrocínio do Banco do Brasil à entidade, de 2012 a 2017. A S4G pertence a Fábio Azevedo, atual diretor geral da FIVB e ex-superintendente da CBV. A SMP é de Marcos Pina, que era superintendente da CBV até a revelação do caso, quando pediu demissão.

Graça contesta os valores divulgados pela ESPN, diz que as denúncias fazem parte de um contexto de "briga pelo poder" e que se sente "traído".

"Houve uma briga pelo poder. A verdade é essa. Não só interna, mas com inspiração externa. Como diz o velho ditado: 'o gato sai, os ratos fazem a festa', de uma maneira que eu nunca imaginei. Deixei estrutura bem montada, pensei que tudo iria correr tranquilamente. Não foi o que aconteceu. Houve essa briga interna e um aproveitamento deste pessoal para tomar o poder".

O dirigente se disse surpreso com o teor de uma reportagem, escrita pelo jornalista Erich Beting, do site 'Máquina do Esporte', segundo a qual o técnico Bernardinho seria a fonte do jornalista Lúcio de Castro, que assina as matérias da ESPN Brasil.

"Uma corrente diz que temos antipatia mútua, mas não é verdade. Eu a vida inteira gostei e continuo gostando dele. Se da parte dele o sentimento não é o mesmo, eu não sei. Mantivemos um relacionamento profissional, cumprindo o combinado, tudo certinho. O nome dele ter surgido, para mim, é uma surpresa. Gostaria de ter confirmação disso".

O ex-presidente da CBV diz que o pagamento a Azevedo e Pina não é uma comissão, mas uma "remuneração por desempenho", e contesta os valores. "Não foram R$ 20 milhões e não é comissão. Vou explicar: a oferta do Banco do Brasil girava em torno de R$ 20 milhões a R$ 24 milhões por ano para a quadra, e mesmo valor para a praia. Combinei o seguinte com o Fábio, em contrato. Se você aumentar isso de R$ 30 milhões a R$ 50 milhões, sua remuneração por desempenho será de R$ 1 milhão. Se ele arrumasse R$ 49 milhões, era R$ 1 milhão para a empresa dele. Se foi R$ 31 milhões, ganharia o mesmo. Mas ele mais o Pina aumentaram em 70% o valor, assinando o maior contrato da história do esporte olímpico".

Já Pina, que teria feito o "acompanhamento do projeto", ganharia R$ 2 milhões por ano, por cinco anos. "Paguei R$ 2 milhões até agora e mais nada. Mas era para ele ganhar bem mais".

Segundo Graça, "um grupinho lá" teria chantageado a direção da CBV para receber os R$ 8 milhões restantes.

O dirigente caiu em contradição consigo mesmo. Em nota publicada no último dia 14, havia declarado que as negociações com o Banco do Brasil foram feitas diretamente. Agora diz ter contratado empresas, e afirma ainda ter ata das reuniões.

Por fim, Graça diz estar sentindo a "sensação mais desagradável do mundo". "Sinto-me traído. É a sensação mais desagradável do mundo saber que amigos seus estão lhe traindo. Pessoas que você ajudou a ganhar muito dinheiro, fama, agora estão se voltando contra você".


 

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