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Banco do Brasil pede esclarecimentos à CBV a respeito de denúncias

Compromissos estipulavam que Confederação pagasse R$ 20 milhões por intermediação de patrocínio de contratos negociados

Alessandro Lucchetti, O Estado de S. Paulo

13 de março de 2014 | 10h00

SÃO PAULO - O Banco do Brasil, que patrocina a Confederação Brasileira de Vôlei com o valor de R$ 24 milhões anuais, pediu esclarecimento à entidade a respeito das denúncias veiculadas pela ESPN Brasil. "O Banco do Brasil solicitou explicações à Confederação e aguarda a resposta da entidade", diz comunicado emitido pela assessoria de imprensa da instituição bancária.

A CBV anunciou nesta terça-feira que vai "contratar auditoria externa, de reputação reconhecida, para avaliar contratos de terceirização de serviços assinados na gestão anterior. A auditoria, que complementará processo de revisão interna já iniciado pela instituição, irá incluir a apuração de denúncias publicadas pela imprensa sobre supostas irregularidades em alguns desses contratos".

A emissora começou a divulgar a série de denúncias intitulada "Dossiê Vôlei" no final do mês passado. Na primeira reportagem, a emissora revelou que a SMP Logística e Serviços Ltda., empresa pertencente ao ex-superintendente-geral da CBV, Marcos Pina, receberia R$ 10 milhões de reais a título de "remuneração relativa aos contratos de patrocínios firmados entre a CBV e o Banco do Brasil" no período de cinco anos, de abril de 2012 a abril de 2017. O pagamento, previsto para 60 parcelas, começou no segundo semestre de 2012. O Banco do Brasil, no entanto, esclarece "que o contrato de patrocínio às seleções de vôlei foi firmado diretamente com a CBV".

Pina colocou o cargo à disposição no mesmo dia da publicação da reportagem, atendendo a pedido da presidência da CBV, segundo a assessoria de imprensa da entidade. Pina foi superintendente da CBV de 97 a 99 e voltou como superintendente-geral em setembro de 2013, após Ary Graça Filho, presidente da CBV desde 95, assumir a presidência da Federação Internacional de Vôlei (FiVb), o que ocorreu em dezembro de 2012. Neuri Barbieri, presidente da Federação Paranaense desde 1982, sucedeu Pina.

NOVA DENÚNCIA

Nesta terça-feira, a emissora divulgou outra denúncia. O mesmo patrocínio do BB rendia outra comissão de R$ 10 milhões. Esse dinheiro beneficiaria a "S4G Gestão de Negócios", que pertence a Fábio André Dias Azevedo, que é hoje diretor geral da FIVb. Antes de ser levado à FIVb, em cargo imediatamente abaixo do ocupado pelo próprio Graça, Azevedo era superintendente da CBV.

A assessoria de imprensa da CBV negou então que houvesse intermediação entre CBV e BB. "Os contratos entre a Confederação Brasileira de Voleibol e o Banco do Brasil não preveem nenhum tipo de intermediação. A CBV reafirma que jamais houve esse tipo de prestação de serviço nos seus contratos com o banco". Os contratos da S4G Gestão de Negócios, segundo a ESPN, mencionam comissão por "serviços prestados", entre eles, "venda de patrocínio, negociações junto às agências de publicidade, agências de promoção, anunciantes".

O endereço do prédio que consta no CNPJ da S4G é o mesmo da AGF Assessoria e Participações, de propriedade de Ary Graça, em Saquarema, onde está localizado o centro de treinamento da CBV, chamado de "Aryzão". O Banco do Brasil é uma sociedade de economia mista - parte de suas ações (58,5% nesta quarta-feira) pertencem ao Governo Federal; o restante é de acionistas privados.

A assessoria da instituição salienta que não cabe a ela fiscalizar a utilização dos recursos por parte da CBV, mas verificar se as contrapartidas previstas em contrato estão sendo cumpridas, como a estampa da marca na camisa da seleção e a colocação de placas de publicidade nas quadras, por exemplo.

O central Gustavo Endres, presidente da comissão de atletas do vôlei, espera que os responsáveis sejam punidos. "Esses episódios estão manchando a imagem do vôlei brasileiro, o esporte que mais deu medalhas olímpicas ao país, ao lado do judô e da vela. Espero que tudo isso seja apurado, que se descubra a verdade e que os culpados sejam punidos".

A FONTE

Nesta quarta-feira, o jornalista Erich Beting publicou em seu blog no site Uol, que Bernardinho, o técnico da seleção masculina de vôlei, seria o responsável pelo vazamento das informações que deram origem às reportagens. O treinador estaria colocando pessoas de sua confiança em cargos estratégicos, segundo Beting. Seriam os casos dos ex-jogadores Leila e Renan, que integram o Comitê da Superliga.

Gustavo é favorável a essas mudanças. "A Copa Brasil foi uma ideia da comissão dos atletas, inspirada em competições como a Copa Itália e a Copa Espanha, e foi acatada por esse comitê. Foi um sucesso. Eu não sei se o Bernardinho está por trás dessas mudanças, mas acho que ele e o Zé Roberto podem contribuir muito com a gestão do vôlei, por causa de sua experiência. Não sei também se o Bernardinho é quem deu a pista para a emissora apurar esses casos. Se foi, acho ótimo".

Esquivo a entrevistas, Walter Pitombo Laranjeiras, o Toroca, atual presidente da CBV, é citado pela assessoria de imprensa da entidade como "presidente em exercício". Ele ocupou o cargo de vice de 1984 a 2012 e é presidente da Federação Alagoana desde 1979. Nesta sexta-feira, a assembleia da CBV, em João Pessoa, pode deliberar a respeito da questão da presidência. Procurado pela reportagem do Estado, Bernardinho não respondeu aos pedidos por entrevistas.  

 

   

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