CBV/Divulgação
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Banco do Brasil volta a suspender o patrocínio à CBV

Entidade máxima do vôlei brasileiro não cumpre acordos com banco

MURILO RODRIGUES ALVES, Estadão Conteúdo

15 de maio de 2015 | 20h02

O Banco do Brasil voltou a suspender o patrocínio ao vôlei brasileiro. Os pagamentos à Confederação Brasileira de Voleibol (CVB) foram paralisados em fevereiro porque a entidade deixou de cumprir algumas das medidas acertadas com o banco e com a Controladoria Geral da União (CGU), em dezembro do ano passado.

A reportagem apurou que o contrato de patrocínio com o vôlei é de R$ 70 milhões por ano. O BB só repassará os R$ 17,5 milhões retroativos aos três meses que foram suspensos depois que tiver certeza que a CBV cumpriu todas as medidas impostas depois que a CGU comprovou irregularidades na gestão do dinheiro público na entidade.

A CGU determinou abertura de investigação sobre contratos firmados entre a CBV e o banco entre 2010 e 2013, na gestão do ex-presidente Ary Graça Filho, hoje mandatário da Federação Internacional de Vôlei (FIVB).

A CBV cumpriu alguns itens do acordo que permitiu a retomada do apoio, como a implantação de regras de contratações e definição de parâmetros na destinação do bônus de performances aos atletas. Outros pontos, porém, ainda não tinham sido adotados como a reformulação de regras de contratações, criação da ouvidoria da CBV e compromisso de buscar ressarcir os valores pagos de serviços que não tiveram a comprovação de que foram executados. A reportagem apurou que essas medidas foram tratadas na assembleia da CBV na quarta-feira.

A implantação de um comitê de apoio ao conselho diretor da CBV com participação dos atletas foi parcialmente cumprida. O comitê já foi criado, mas não da forma como o banco quer. Esse item, porém, tem um prazo maior para ser totalmente cumprido.

O BB tem dois contratos com a CBV para patrocinar vôlei de quadra e vôlei de praia. Os dois foram paralisados nesses três meses. O BB patrocina o vôlei desde 1991. O último contrato assinado vai até 2017.

Depois da investigação da CGU, a CBV assumiu o compromisso com o banco de implementar em 90 dias todos os itens dos aditivos. O comitê de apoio com participação dos atletas tem prazo de 180 dias para ser colocado em prática da maneira como quer o banco.

"O Banco do Brasil informa que o pagamento das parcelas de patrocínio à Confederação Brasileira de Voleibol está suspenso desde fevereiro de 2015, pelo não cumprimento integral das medidas previstas para o período. O BB segue acompanhando a implantação das medidas e aguarda a demonstração que comprove o cumprimento de todas as ações adotadas pela CBV. A retomada dos pagamentos está condicionada à efetiva implantação das medidas acordadas", comunicou o banco, em nota.

A CBV, por sua vez, informou que as medidas que estavam pendentes dependiam da aprovação da assembleia geral da entidade, o que ocorreu na última quarta-feira. Segundo a entidade, as evidências do cumprimento desses itens foram encaminhadas nesta sexta-feira ao BB. "A CBV permanece empenhada em atender os anseios por uma gestão do voleibol cada vez mais robusta e transparente", afirmou, em nota.

A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) informa que continua dialogando com o Banco do Brasil. Na busca por melhores práticas de governança corporativa, já foram cumpridos os seguintes compromissos assumidos no aditivo, assinado com o BB em janeiro: 

I - publicação do regulamento de contratações; 
II - contratação de auditoria independente;
III - criação do comitê de apoio ao Conselho Diretor;
IV - implementação das alterações do estatuto relativas ao Conselho Fiscal;
V - eleição do Conselho Fiscal de acordo com as novas regras estatutárias;
VI - cumprimento dos artigos 18 e 18 A da Lei nº 9.615/98, atendendo as exigências do Ministério do Esporte 
VII - aprovação e publicação do código de ética
VIII - aprovação e implantação da ouvidoria
IX - elaboração do plano de ação para implementação de eventuais ações judiciais para ressarcimentos da CBV
X - apresentação da conclusão dos trabalhos de auditoria acerca das contratações
XI - elaboração e apresentação da planilha orçamentária
As evidências do cumprimento dos itens III, IV, VIII e X, que dependiam da realização da Assembleia Geral Extraordinária, foram aprovadas em 13.05.2015, e encaminhadas ao Banco do Brasil nesta sexta-feira (15.05).
A CBV permanece empenhada em atender os anseios por uma gestão do voleibol cada vez mais robusta e transparente.

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