Bernardinho: Brasil tem melhor ataque

Após assistir à saída de várias atletas da seleção feminina, o técnico Bernardo Rezende, o Bernardinho, afirma que já chegou a se arrepender de ter deixado o grupo para treinar o masculino. Fica triste ao ver Érika, Elisângela, Walewska, Raquel, Virna e Fofão fora do elenco que disputará o Grand Prix, a partir do dia 12. Garante que ?não rema contra?, não influencia suas ex-atletas e nem responderá às insinuações do atual técnico Marco Aurélio Motta. À frente do masculino, Bernardinho, que se diz neurótico e toma remédio para dormir, quer ir ao pódio em todas as competições. Afirma que o Brasil não é a melhor equipe do mundo (aponta a Iugoslávia), mas tem o melhor ataque. Não trocaria o bloqueador Gustavo pelo iugoslavo Geric, nem André Nascimento por Miljkovic (Iugoslávia). Neste sábado e domingo enfrenta Portugal, na Liga Mundial, no Porto. Agência Estado ? Até onde a seleção pode chegar? Bernardinho ? É difícil dizer até onde podemos chegar. Queremos os títulos. O objetivo é estar em todos os pódios de todas as competições. O Brasil não é o melhor do mundo. Agência Estado ? Qual o lugar do pódio que o Brasil pode ocupar no Mundial de 2002? Bernardinho ? Estamos na briga pelo título. Nossa desvantagem é que na metade final do torneio ficaremos no ?grupo da morte?. Talvez 80% das melhores equipes estarão nessa chave. Agência Estado ? Qual é a melhor equipe do mundo? Bernardinho ? A Iugoslávia, atual campeã olímpica e européia. O fato de termos vencido a Liga Mundial no ano passado, não nos credencia ao trono. Tem também a Itália, Rússia, Cuba, França e República Checa ? é comandada por Júlio Velasco, ex-técnico da Itália. Ficou em terceiro e em quarto nos últimos europeus ? atrás de Iugoslávia, Itália e Rússia. Agência Estado ? Quem está em melhor fase no seu time? Bernardinho ? Nos amistosos da Itália, Gustavo, André Heller e Anderson. Agência Estado ? Quem é o melhor atacante da seleção? Bernardinho ? Difícil... tem o André Nascimento, Dante, Giba... O Brasil tem o melhor ataque do mundo. No ano passado, o André Nascimento foi o mais regular. Como central, o Henrique é o melhor atacante. O Giba teve um final de temporada italiana excepcional (atuou no Ferrara). Entrou na seleção do Campeonato Italiano na opinião de um dos mais importantes jogadores italianos, o Bertoli. Agência Estado ? E os melhores nos fundamentos? Bernardinho ? No passe, Nalbert e Escadinha, talvez os melhores do mundo. O Gustavo é o melhor bloqueador e sacador do Brasil. No réveillon de 2001, o Bebeto de Freitas (ex-técnico da seleção brasileira e italiana) me disse que a imagem do Gustavo lá fora era de um bom bloqueador, mas não era respeitado como atacante de meio-de-rede. Hoje, é uma das peças mais requisitadas na Itália. Agência Estado ? Quem você gostaria que jogasse na sua seleção? Bernardinho ? O oposto da Iugoslávia, o Miljkovic é um monstro, mas jamais abriria mão do André Nascimento. O central Geric, também da Iugoslávia, é um tremendo bloqueador, mas não o trocaria pelo Gustavo. No levantamento, não existe melhor que o Maurício. Brigo com ele porque fica admirando as obras de arte que cria. Tira da cartola uma jogada linda e fica observando. A bola volta e ele ainda está admirando. Tem de ser mais operário. Agência Estado ? Como assim? Bernardinho ? Tem de defender. A defesa é fundamento de operário. É o zagueiro do futebol. Agência Estado ? Jogador tem medo de levar bolada num bloqueio? Bernardinho ? É o caso da Raquel e do Dante. Agência Estado ? Com a seleção feminina você sempre manteve-se no pódio. Em seu primeiro ano com o masculino venceu todas as competições e ficou em segundo na única que lhe escapou. Saberia trabalhar sem ter a obrigação de vencer? Bernardinho ? Sim, mas sem estar ganhando, não. Perdi torneios importantes com o feminino, mas nunca a motivação. Ficava remoendo, mas tinha vontade redobrada para voltar. Agência Estado ? Você é neurótico? Bernardinho ? Todo técnico é um pouco neurótico. Agência Estado ? O vôlei não te deixa nem em sonho? Bernardinho ? Não sonho com vôlei. Fico horas acordado. Agência Estado ? Dorme quanto? Bernardinho ? Com ou sem remédio? Sem remédio, dificilmente durmo mais do que três horas. Na última Liga Mundial, na Polônia, fiquei seis dias virado. Agência Estado ? Não fica cansado? Bernardinho ? Não. O Radamés Lattari (ex-técnico da seleção) me definiu como um vulcão em erupção. Achei o máximo. Agência Estado ? Depois que a sua filha nasceu, diminuiu o tempo dedicado ao vôlei? Bernardinho ? Não. Assisti a vários jogos com ela no meu colo. Sinto falta do Bruno (filho com a ex-mulher, Vera Mossa), mas nos falamos pelo telefone. Está empolgado com o vôlei. Eu trouxe tênis e joelheiras novas para ele. Agência Estado ? Ainda se envolve com a seleção feminina? Bernardinho ? Não. Mas fico triste ao ver muitas atletas que trabalharam comigo fora do grupo. É uma pena. Agência Estado ? Tem como ajudar? Bernardinho ? Único conselho que dei foi para que conversassem com o Marco Aurélio Motta. A Fernanda (Fernanda Venturini, sua mulher) disse a elas que se estavam insatisfeitas, para não fazerem mormaço.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.