Bernardinho condena Vasco e Flamengo

Com o moral de quem tem duas medalhas olímpicas e já mostrou competência suficiente no vôlei, o técnico Bernardo Rezende, que assume o comando da seleção masculina na segunda-feira, e a ex-jogadora Ana Moser, que vem trabalhando com o enfoque social do esporte, criticaram os projetos de Vasco e Flamengo. "O calote era exceção no vôlei. Não devemos trazer para o nosso esporte o lado ruim do futebol", disse Bernardinho, ontem, em São Paulo."Se nem o futebol, que é o melhor produto do mundo, eles conseguem administrar..."Ana Moser observou que o fato de dois times que não pagam salários há meses estarem decidindo o título da temporada compromete a imagem do esporte. O Vasco, de Fernanda Venturini e Denise, e o Flamengo, de Virna e Leila, fazem hoje a segunda partida da série melhor-de-cinco do playoff decisivo, às 20h30, no ginásio de Caio Martins, em Niterói (com SporTV). O Flamengo vence a série por 1 a 0.Bernardinho observou que "a desorganização e a falta de profissionalismo" do futebol não fizeram bem ao vôlei, que estava "mais sadio" antes da chegada dos clubes do Rio e de seus projetos superdimensionados, que causaram inflação no mercado. O treinador, que encerrou a carreira como jogador no Vasco, do qual seu avô foi presidente, espera que o clube, bem como o Flamengo, "honre os compromissos assumidos" com as jogadoras.Bernardinho convive com o problema de salários atrasados em casa - sua mulher, a levantadora Fernanda Venturini também está sem receber. Acha que o episódio servirá de alerta para as atletas não se deixarem "seduzir por promessas de salários".Ana Moser, que está na Justiça para receber o calote que levou da Universidade de Guarulhos (UNG) no fim da temporada 1998/1999, acha que os atletas têm de se organizar na comissão criada na Secretaria Nacional de Esportes para tentar proteger-se de calotes. E devem cobrar dos dirigentes "transparência, honestidade e ética".O estabelecimento de vínculos com regiões e cidades e de parcerias com governos, prefeituras e patrocinadores, fórmulas adotadas pelo Minas, BCN/Osasco e o próprio projeto do Paraná, é uma boa saída para Bernardinho. Esta é a receita do Centro de Excelência Rexona, do qual o técnico continuará como coordenador. "Agora, estarei mais ligado ao lado social."No Paraná, o projeto reúne, em 23 núcleos, 6 mil crianças entre 7 e 15 anos, e conta com um investimento anual de R$ 4 milhões da Unilever. Vai entrar no quinto ano e Hélio Griner, que era auxiliar-técnico, passará a comandar o time principal. Ana Moser coordenará o desenvolvimento de núcleos em São Paulo, inicialmente para filhos de funcionários da empresa no interior do Estado onde existam fábricas, como Vinhedo. Ana deseja trabalhar com o chamado terceiro setor. Está criando um instituto, semelhante ao Instituto Ayrton Senna, para atuar com esporte em comunidades organizadas.

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