Bernardinho garante ?time ideal?

A seleção brasileira masculina de vôlei desembarcou nesta segunda-feira em São Paulo com a taça de campeã da Liga Mundial e foi recebida com festa no aeroporto de Guarulhos - o Brasil não vencia uma competição de grande importância desde 1993, quando conquistou o título deste mesmo torneio. Mas a comemoração pela façanha já tem data para acabar: segunda-feira o grupo reapresenta-se no Rio. O próximo objetivo é o Torneio Classificatório para o Mundial de 2002, em São Caetano do Sul, de 27 a 29.A seleção disputará uma vaga para o Mundial, na Argentina, com Venezuela, Chile e provavelmente Peru, que ainda não confirmou participação. Para esta competição, o técnico Bernardo Rezende, o Bernardinho, deverá manter os 12 atletas que foram às finais da Liga. "Atualmente, esse é o time ideal. Mas posso chamar mais uns dois jogadores."Mesmo após cerca de 50 dias viajando para a disputa da Liga Mundial - a fase final foi em Katowice, na Polônia -, o treinador encurtou o tempo livre de seus atletas. Poderia ter dado três semanas de folga, mas preferiu sete dias. "Não gosto de folga não. Na Olimpíada de Sydney, ano passado, a Janina até apostou comigo uma folga em uma prova de natação. Ela é grande e ex-nadadora, mas apostou folga. Então, eu ganhei", brinca Bernardinho, que até o ano passado comandava a seleção feminina.Ao menos durante as próximas duas semanas no Rio, os atletas poderão ficar com suas esposas ou namoradas na concentração. "Família dá equilíbrio", diz o treinador, que nos jogos da primeira fase da Liga, no Nordeste, também permitiu a presença dos familiares no hotel da seleção. "Você tinha de ver agora, na Polônia, a cara do Gustavo com saudade do filho."Bernardinho, um alucinado por vôlei, capaz de ficar a madrugada toda vendo vídeos dos jogos dos rivais durante as competições ou devorando estatísticas, tem sempre a família por perto. A esposa Fernanda Venturini e o filho Bruno (com a ex-mulher Vera Mossa) freqüentam a concentração. Muitas vezes vão em viagens internacionais. "Tem vezes que o Bruno dorme do meu lado enquanto assisto aos vídeos. Só a presença dele já me deixa muito feliz."Estrutura - Bernardinho fez questão de logo na chegada ao Brasil deixar claro que o sucesso obtido na Liga é resultado de muito trabalho, inclusive dos clubes. "Não ensinei nenhum atleta da seleção a jogar vôlei em 45 dias. Eles já chegam em excelente forma e com muita vontade de vencer", conta. "Hoje ninguém é bobo, é preciso de tempo e estrutura para trabalhar. No vôlei há uma grande organização por trás. Tudo o que pedimos, recebemos."É justamente esta estrutura, segundo Bernardinho, que diferencia a seleção de vôlei da de futebol, comandada por Luiz Felipe Scolari. O treinador criticou muitas vezes durante a Superliga a falta de planejamento de Vasco e Flamengo, que não pagaram suas atletas na última temporada. "O futebol vive uma crise de organização. Essa é a única desvantagem do Felipão em relação a mim, pois o salário dele deve ser bem maior que o meu", brincou.

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