Bernardinho não pára nem nas férias

Trabalhando ou não com a seleção brasileira masculina de vôlei, Bernardinho age da mesma maneira: não consegue ficar parado. Embora a equipe só volte a se reunir em abril, com a preparação para a Liga Mundial, o treinador já está traçando planos para o grupo e para o Centro de Excelência Rexona de Curitiba, do qual é coordenador. Nesta sexta-feira, em promoção no Shopping Iguatemi, em São Paulo, ele contou que, se arrumar tempo, quer escrever um livro sobre diversas situações que já passou no banco, destacando a importância da coletividade em um time.Agência Estado - Qual é sua programação até o ano que vem, já que os compromissos com a seleção acabaram em 2002?Bernardinho - Não vou descansar, por enquanto. Vou me dedicar ao projeto Rexona a partir desta semana. E também fazer um balanço deste ano e o planejamento do ano que vem. Ainda tem muita coisa a ser feita. Estou pensando em fazer um livro e dar palestras.AE - Sobre o que seria o livro?Bernardinho - Envolve as experiências que a gente viveu, mas muito relativo a conceitos que acho interessantes, como trabalho em equipe, motivação, coletividade. Quero ligar a parte teórica com a parte prática, salpicando histórias da minha vivência. Estou vendo se consigo escrever no período de novembro a abril, quando começo de novo com a seleção. Não é nada biográfico, mas certamente vão entrar histórias de todo o tempo em que fui técnico, inclusive da seleção feminina, onde fiquei mais (foram sete anos) . Também terá histórias da época em que fui jogador.AE - E as prioridades para as competições no ano que vem?Bernardinho - Temos Liga Mundial, Jogos Pan-Americanos, Sul-Americano e Copa do Mundo do Japão. As prioridades são os Jogos Pan-Americanos de São Domingos, na República Dominicana, que têm um brilho, porque são uma pequena Olimpíada, uma competição importante. Depois, o Sul-Americano é importante porque é classificatório para a Copa do Mundo, que por sua vez dá três vagas para a Olimpíada de Atenas/2004. Estar entre os três primeiros colocados na Copa do Mundo é nosso maior objetivo para o ano que vem.AE - Você já está preparado para mais pressão no ano que vem?Bernardinho - Com os resultados que o Brasil obteve em 2001 e 2002, ainda mais depois da grande conquista do Mundial, certamente a pressão será maior. A expectativa cresce e, conseqüentemente, a pressão. A coisa mais importante é ver até que ponto os jogadores estão dispostos a fazer os sacrifícios que precisarão ser feitos. O sacrifício e a dedicação vão ter de ser maiores do que foram até hoje. Para crescer e ter mais resultados do que já tivemos, vamos ter de fazer mais. Para crescer só um pouquinho, agora será preciso muito mais esforço do que já fizemos.AE - O resultado do Mundial vai render o que para o vôlei nacional? O que falta?Bernardinho - A tevê aberta já está aí. A Bandeirantes vai passar a Superliga, assim como a SporTV. O vôlei está voltando a crescer. Os bons resultados da seleção certamente significam um momento de interesse. A garotada irá mais aos ginásios, para ver os ídolos. Alguns vão jogar no Brasil, outros lá fora. Não acho que por esse aspecto (de êxodo dos atletas) valha criticar a Confederação Brasileira, porque a competição é muito desigual. Quando alguém oferece a você um contrato lá fora de US$ 100 mil, que não é um contrato alto para padrões internacionais - na verdade é baixo -, são quase R$ 400 mil, o que é um contrato muito alto para padrões brasileiros. Essa competição é injusta, mas é uma questão muito mais econômica do que uma questão do vôlei. A modalidade está muito bem, mas não há como competir com o poder de barganha internacional no momento.AE - Você já está de olho em algum atleta juvenil para o ano que vem?Bernardinho - Em vários, mas não há nenhum que possa afirmar que estará na seleção. Eles vão ter de mostrar seu potencial na Superliga, dentro de quadra. No ano que vem também tem Mundial Juvenil e vários talentos podem surgir.

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