Bernardinho revela que retirou tumor do rim após Mundial

Treinador da seleção brasileira masculina de vôlei revela que encontrou células malignas em exame após Mundial

Estadão Conteúdo

19 de dezembro de 2014 | 15h06

Um dos nomes mais vencedores do vôlei brasileiro em todos os tempos, Bernardinho está incomodado com as denúncias de corrupção na gestão da modalidade no País. No entanto, recentemente precisou se preocupar com outro problema, este de saúde. O treinador da seleção masculina revelou ter retirado um tumor maligno no rim logo após a campanha do vice no Mundial da Polônia, que terminou em setembro.

"Cheguei do Mundial na Polônia e num exame de rotina descobri um tumor no rim direito. Nele havia células malignas. Extirpei o tumor e estou aparentemente bem. A cirurgia completou três meses", declarou, em entrevista à revista Veja.

Bernardinho acredita que as falcatruas do esporte possam ter ajudado a causar um desgaste que poderia trazer-lhe problemas de saúde. "Senti que dei minha saúde. Fico ruminando essa história, porque há um ano e dez meses não tinha problema de saúde. Mas a irresponsabilidade vai te maltratando e maltratando."

O treinador ainda fez um paralelo entre o tumor retirado e os constantes casos de corrupção no esporte e na política. "O médico do Hospital Sírio-Libanês que me atendeu disse assim: ''O que tirei do seu corpo é uma metáfora do que deve ser ex­traído do país''. A sensação que tenho hoje é essa mesmo: tudo o que está acontecendo com o vôlei é uma pequena célula doente de um organismo. Pode haver mais."

Recentemente, o relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) confirmou o desvio de pelo menos R$ 30 milhões da verba do patrocínio durante a gestão do então presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Ary Graça, entre 2010 e 2013. O caso resultou na decisão do Banco do Brasil, maior parceiro da modalidade no País, de cancelar o patrocínio à entidade.

"Eu me sinto traído. As pessoas dizem que estou por trás dessas acusações. Não estou por trás de nada. Primeiro, porque, se tiver de fazer algo, faço pela frente. Muito mais que revoltado, hoje estou triste. O vôlei é um esporte lindo. Dediquei boa parte da minha vida a uma causa e, com base em todas essas evidências de corrupção, posso dizer que algumas pessoas se beneficiaram de um trabalho honesto", disse Bernardinho.

O treinador ainda atacou Ary Graça e o "grupo" que controlava a CBV. "É um grupo, não foi apenas o Ary Graça. Mas em 2012, quando soube que ele estava pleiteando a candidatura à presidência da Federação Internacional, fui ao seu gabinete pela primeira vez e disse: ''Doutor Ary, o senhor hoje dirige a maior confederação esportiva do país fora o futebol. Quebre esse sistema de poder, profissionalize esse sistema''. Ele dirigia uma ''empresa'' com R$ 100 milhões anuais de faturamento e tinha muito que fazer ainda no esporte brasileiro. Ele não me deu ouvidos."

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