Alexandre Arruda/CBV
Alexandre Arruda/CBV

Bicampeã olímpica diz ter sofrido insulto racista em jogo de vôlei

Central Fabiana, do Sesi, conta que foi chamada de 'macaco' por torcedor do Minas ao longo de partida pela Superliga, nesta terça

O Estado de S. Paulo

28 de janeiro de 2015 | 11h57

A bicampeã olímpica e capitã da seleção brasileira de vôlei Fabiana Claudino afirmou nesta quarta-feira ter sido vítima de racismo durante jogo da Superliga. A central do Sesi contou que foi xingada por um torcedor durante o jogo desta terça contra o Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte. Segundo a jogadora, ela foi chamada diversas vezes durante a partida.

"Durante o jogo contra o Minas, um senhor disparava uma metralhadora de insultos racistas em minha direção. Era macaca quer banana, macaca joga banana, entre outras ofensas. Esse tipo de ignorância me atingiu especialmente, porque meus familiares estavam assistindo à partida", escreveu Fabiana nas redes sociais. No texto, a jogadora agradeceu ao clube adversário, que retirou do ginásio o autor dos insultos e o levou para a delegacia.

Mineira de Santa Luzia, a jogadora começou a carreira no Minas. "Refleti muito sobre divulgar ou não, mas penso que falar sobre o racismo ajuda a colocar em discussão o mundo em que vivemos e queremos para nossos filhos. Eu não preciso ser respeitada por ser bicampeã olímpica ou por títulos que conquistei, isso é besteira! Eu exijo respeito por ser Fabiana Marcelino Claudino, cidadã, um ser humano", afirmou. Na partida o Sesi perdeu por 3 sets a 1 e a central foi a maior pontuadora do jogo, com 19 pontos.

Fabiana disse ainda estar muito abalada pelo ocorrido. "A esse senhor, lamento profundamente que ache que as chicotadas que nossos antepassados levaram há séculos, não serviriam hoje para que nunca mais um negro se subjugue à mão pesada de qualquer outra cor de pele. Basta de ódio! Chega de intolerância!", comentou.

A colega de seleção de Fabiana, Sheilla Castro, publicou nas redes sociais uma mensagem de apoio à amiga. "Acho inadmissível ainda existir racismo. Minha amiga Fabiana Claudino ontem no jogo na sua terra natal, sofreu isso com um torcedor. Fiquei muito revoltada e triste. Ainda bem que o Minas Tênis Clube retirou o indivíduo e encaminhou pra delegacia!".

A Superliga já teve outros dois episódios de atos preconceituosos. Em 2011, Michael, do Vôlei Futuro, ouviu insultos homofóbicos da torcida do Cruzeiro. No ano seguinte, também no ginásio do Minas, uma torcedora xingou Wallace de "macaco".

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