Bicampeão olímpico Giovane inicia carreira de técnico no vôlei

Ex-jogador assume o comando do Tigre/Unisul, de Joinville, auxiliado pelo também treinador José Paulo Perón

Érica Akie, do Jornal da Tarde,

10 de agosto de 2007 | 17h40

Com o currículo de bicampeão olímpico, campeão mundial e vencedor da Liga Mundial por quatro vezes, o ex-atacante Giovane Gavio está começando um novo ciclo com a carreira de técnico. No comando do Tigre/Unisul, de Joinville, ele experimenta o mesmo "frio na barriga" de quanto estreava como jogador. Domingo e segunda-feira seu time disputará dois amistosos contra Portugal, que é dirigido pelo brasileiro Jorge Schmidt.Giovane estreou no último domingo, com vitória de 3 sets a 1 sobre o Fátima/UCS. "Foi ótimo. Estávamos jogando em casa, com ginásio lotado. As coisas estão caminhando melhor do que eu previa. Além disso, tenho ao meu lado o (José Paulo) Perón, que é um técnico experiente e está me ajudando muito. Ele me dá confiança para mexer no time, mudar, arriscar. Isso é tudo parte de um processo que ainda tenho de aprender."Como referências, Giovane tem treinadores com quem trabalhou, como José Roberto Guimarães, Bernardinho e Bebeto de Freitas. "Eu me lembro bem dos treinos de bloqueio do Jorjão (Jorge Barros) até hoje. Era um trabalho técnico muito bom. Com o Bebeto eu trabalhei só um ano, mas ele era muito bom taticamente. Além disso, sabia ajudar cada jogador nos momentos mais difíceis. O Zé Roberto tem como principal característica a paciência. Ele sabe esperar o melhor momento para agir. E o Bernardinho é um perfeccionista."Seu maior desafio é criar uma personalidade própria como técnico. "Acho essa fase bem difícil. Preciso criar meu jeito de treinar os jogadores. Deve ser difícil você falar sem abusar da autoridade de líder do time. Além disso, precisarei aprender a preservar os jogadores e a ter bom senso na hora de tomar decisões. De resto, não tenho medo de nada."Giovane já tentou de tudo. Deixou as quadras após a Olimpíada de Atlanta/96 e foi jogar na praia com Tande. Mas não agüentou, retornou para o vôlei indoor e parou de vez após a conquista do bi na Olimpíada de Atenas/2004. Tornou-se gerente de Esportes do time de vôlei da Unisul, quando ainda tinha sede em São José (SC). Nesse período, na Superliga passada, seu time tomou um calote de R$ 600 mil da prefeitura da cidade. "Virei a página. O que eu tinha de fazer sobre isso já fiz. Agora está nas mãos dos advogados."A frustração como cartola levou Giovane a se tornar técnico. "Sentia falta daquela adrenalina de estar em quadra. Eu me decepcionei em ser dirigente e conversei com minha família sobre a possibilidade de virar treinador. Tive todo o apoio e agora vamos ver no que dá. Se o Bernardo deixar, quero fazer até um estágio na seleção."O primeiro desafio oficial de Giovane no comando da Unisul será a Copa Brasil, mês que vem, que terá ainda a participação do Telemig/Minas, Ulbra e Cimed. "Em outubro vem o Campeonato Catarinense e, na seqüência, já entramos na Superliga. Vai ser uma competição muito difícil, com pelo menos seis times fortes."

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