Brasil tem futuro no vôlei, diz Tande

O campeão olímpico Tande, de 31 anos, que encontra o caminho do sucesso em tudo o que faz - em dupla com Emanuel acaba ser campeão brasileiro e mundial do vôlei de praia - não tem dúvida em afirmar que o futuro do vôlei masculino do Brasil está assegurado. Na avaliação de Tande, que integrou o grupo mais famoso da história do esporte, na quadra, medalha de ouro em Barcelona, em 1992, o Brasil tem gerações de qualidade para mais dez anos de pódio, com as seleções adulta - que ganhou cinco dos seis torneios que disputou este ano, dentre eles o Grand Prix -, infanto-juvenil e juvenil, campeãs mundiais. "Os meninos surpreenderam pela qualidade, altura e força." Além disso, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) também tem o ?combustível? para o sucesso da modalidade - a consolidação de um patrocínio com o Banco do Brasil que já dura 11 anos e um orçamento de R$ 25 milhões (cerca de US$ 10 milhões) para 2002. "Me senti um nanico na hora de fazer a foto. Eles estão muito altos", afirmou Tande, de 1,98 m, referindo-se à pose feita por todos os campeões do ano, na escada, na porta do buffet em que foi realizada, hoje, em São Paulo, a festa do vôlei pelos resultados do ano. "A geração de Renan tinha 1,80 m, a minha 1,90 m e essa tem dois metros e ?paulada?, potência no ataque e no bloqueio, um saque forte, muita saúde", definiu Tande que, na areia, encontrou o que chama de "qualidade de vida", mais tempo para a mulher Lisandra e a filha Yasmin, de 2 anos, independência para planejar a temporada, menos impacto e contusões e mais longevidade, principalmente para sua coluna - das quadras herdou uma hérnia de disco. Tande quer seguir na areia, ao lado de Emanuel, até Atenas, "com o sonho de mais uma medalha olímpica". Nas 22 competições internacionais que disputou na temporada, o Brasil ganhou 17. Mas nada comparável com a inédita medalha olímpica do Brasil, em 1992 - Tande acha que a seleção de Bernardo Rezende, o Bernardinho, tem condições de repetir o ouro. Tande definiu o técnico como um "estrategista, assim como Bebeto de Freitas, da geração de prata", em Los Angeles, em 1984, e de "carrasco" com os treinos e a preparação. Ainda elogiou o jogo do atacante Nalbert e do levantador Maurício, seu amigo, que "não jogava assim, com essa motivação e alegria, desde 1992". Requisitos que podem ajudar o Brasil a trazer uma inédita medalha de ouro do Mundial da Argentina, em 2002. Outra medalha olímpica? "Esta é outra história", ressalta Tande. Em Barcelona, a seleção entrou na disputa para ser quarta colocada e levou o ouro. Em Atlanta, quatro anos depois, jogou pelo ouro e terminou em quinto. "É muito particular, 60% do resultado é psicológico. O grupo de 92 era o melhor, mas naquela época, não depois." Tande acha que cabe as novas gerações perseguir os sonhos, com confiança.

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