Pedro Pardo/AFP
Pedro Pardo/AFP

Campanha do vôlei feminino no Pan divide opinião de ex-jogadoras

Isabel defendeu escolha de Zé Roberto por atletas mais jovens; Fernanda Venturini criticou: 'Foi decepcionante'

João Prata, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2019 | 17h46

A campanha da seleção brasileira feminina de vôlei nos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, dividiu opiniões. O técnico José Roberto Guimarães optou por levar jogadoras mais jovens, poupando as atletas principais, que recentemente haviam conquistado vaga para os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020.

Com um time considerado B, o Brasil perdeu de virada nas semifinais para a Colômbia por 3 sets a 2. A seleção brasileira saiu na frente, abriu 2 a 0, chegou a ter um match point a seu favor, mas permitiu a virada. Na disputa pela medalha de bronze, completamente desconcentrada, a equipe levou 3 sets a 0 da Argentina

A ex-jogadora Isabel, bronze no Pan de San Juan-1979, em Porto Rico, defendeu a opção do treinador. "Acho ótimo fazer testes. Só competindo se pode aferir melhor. Nada como uma competição como essa, que tem formato bom, tem visibilidade... Ele foi corajoso, deu a cara a tapa. Foi importante. Deu a possibilidade para jogar a essa meninada", analisou em entrevista ao Estado.

Prata no Pan de Havana-1991, em Cuba, Fernanda Venturini não gostou de ver a seleção brasileira cair diante da Colômbia. "Foi decepcionante. Estamos acostumados a ver o Brasil nas finais. Ter saído, disputar terceiro e quarto.... Remeteu ao começo da minha carreira, quando a gente perdia para o Peru. De lá para cá o vôlei cresceu muito e há muitos anos só ganhava. É triste ver que o vôlei regrediu. Estava em um patamar à frente e agora não sei", comentou.

Para Isabel, o tropeço em Lima não afeta o planejamento para o principal objetivo, que é a Olimpíada de Tóquio. "Esse time tem trajetória de vitórias em grandes competições. A derrota não coloca em xeque o trabalho. Acho também que não prejudica também essas atletas. Uma competição não traduz o potencial de uma atleta. Seria muito precipitado. Se fez essa opção, fez porque pôde, porque está credenciado para escolher dessa maneira", justificou Isabel.

Fernanda pensa diferente. Para ela, Zé Roberto perdeu a oportunidade de dar mais bagagem ao time principal. "O Brasil tem muito material. Daria para fazer umas três seleções boas, competitivas. Véspera de ano olímpico deveria estar com o que tem de melhor nas principais competições. Quanto mais jogar, mais experiência se ganha. Se estivesse no lugar dele, teria levado as melhores. Cada um pensa de um jeito. Mas é bom que sirva de exemplo."

Fernanda e Isabel concordam que sempre dá para tirar algo positivo nas derrotas. "Não tem mais bobo no mundo do vôlei. Deu para ver que todo mundo hoje sabe jogar vôlei. O Brasil não é mais aquele que ganhava de todo mundo fácil. Temos que nos reinventar pra poder melhorar", disse a ex-levantadora do Brasil. Fernanda ainda destacou algumas atletas. "Gosto da Lara, atacante de meio. A Macriz cresceu muito durante a competição. A Lorenne é uma prometessa, mas pelo que senti estava com problema físico e continuou jogando. Estava meio mancando. Não sei", avaliou.

 

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