Divulgação/FIVB
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Carol Solberg decide recorrer de advertência após gritar 'Fora, Bolsonaro'

Advogados da atleta do vôlei de praia alegam que 'o fato é atípico' e, por isso, necessita ser examinado novamente

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2020 | 07h55

A jogadora de vôlei de praia Carol Solberg decidiu recorrer da decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que advertiu a atleta por gritar "Fora, Bolsonaro" durante entrevista ao vivo na televisão após levar o bronze na etapa de Saquarema do Circuito Nacional. Os advogados da jogadora entendem que "o fato é atípico" e que, por isso, merece ser analisado novamente.

Na terça-feira passada, Carol levou uma multa de R$ 1 mil, convertida em advertência, por se manifestar contra o presidente da República, Jair Bolsonaro. Na visão dos advogados da atleta, Felipe Santa Cruz e Leonardo Andreotti, o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) e o regulamento das competições não possuem nada que proíba tal conduta.

"Os advogados estão confiantes de que o Pleno do STJD, ao avaliar tecnicamente a questão, certamente não chegará a outra conclusão que não a absolvição da atleta, mas que o caso é paradigmático e pode colocar o País na vanguarda da discussão sobre o tema", diz trecho da nota enviada pela defesa da jogadora.

Se a atleta aceitasse a punição, o caso seria arquivado, já que a promotoria não recorreu da pena. Entretanto, a jogadora e seus advogados entendem que a advertência é uma censura e algo ilegal, já que não há nada na lei que vete um atleta de se manifestar neste sentido. 

Na semana passada, Carol foi condenada por três votos a dois. O relator do caso, Robson Vieira, disse que ela descumpriu trecho do regulamento que proíbe dar opinião que prejudique a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) e seus parceiros comerciais, mas a pena poderia ser branda e convertida em advertência. A entidade conta com o Banco do Brasil como um de seus patrocinadores. 

Um auditor acompanhou o voto e o presidente da comissão, Otacílio Araújo, afirmou que a advertência seria um "puxão de orelha" na atleta, para que ela não repetisse o ato. Outros dois auditores pediram a absolvição, por entender que ela não infringiu o regulamento. Ainda não há data para um novo julgamento.

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