Massimo Pinca/Reuters
Massimo Pinca/Reuters

'Com certeza o Leal tem todos os pré-requisitos para ajudar a seleção'

Técnico do Brasil no vôlei avisa que vai conversar com cubano naturalizado e espera contar com ele a partir de abril

Entrevista com

Renan Dal Zotto

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2018 | 04h33

Renan Dal Zotto assumiu a seleção masculina de vôlei em janeiro do ano passado, quando o amigo Bernardinho passou o bastão após um período vencedor. Desde então, o treinador assumiu o trabalho, mas com um estilo diferente, e tratou de manter o Brasil no topo. A equipe encerra o ano como líder no ranking mundial e ciente dos desafios para a próxima temporada. O principal é garantir a vaga olímpica para os Jogos de Tóquio, em 2020. Nesta entrevista ao Estado, Renan comenta sobre seus objetivos e a possível convocação do cubano naturalizado brasileiro Leal para reforçar a seleção.

Você será homenageado como o melhor técnico de 2018 nos esportes coletivos no Prêmio Brasil Olímpico. Qual é o peso disso?

É muito bacana. É um prêmio bastante importante e vou lá receber em nome de toda comissão técnica e jogadores. Simplesmente estarei lá representando cada um deles. Os jogadores compraram a briga, acreditaram, mesmo com todas as dificuldades. Tivemos lesões importantes, mesmo assim todos se superaram. Eles merecem esse prêmio.

Qual balanço você faz da temporada da seleção brasileira masculina de vôlei?

Foi um período positivo. Disputamos algumas competições importantes, fomos vice-campeões mundiais, ganhamos a Copa dos Campeões ano passado e o Sul-Americano. Na Liga das Nações, fomos vice e quarto lugar. Os resultados foram interessantes e o maior desafio é sempre manter o Brasil entre os primeiros. Saiu o ranking e continuamos na primeira posição. O Brasil mantém isso há muitos anos, dificilmente a seleção fica fora de semifinal, mesmo com o vôlei cada vez mais equilibrado e globalizado. O Brasil está sempre fazendo a parte dele e isso é um reflexo da Superliga, uma competição equilibrada, e do trabalho dos clubes no dia a dia e na formação de atletas. Jamais podemos dizer que os resultados da seleção não venham de uma cadeia muito bem trabalhada.

É muito duro para qualquer profissional assumir a seleção após um período vencedor com Bernardinho. Os bons resultados mostram que o caminho está correto?

Os trabalhos desenvolvidos tanto no masculino quanto no feminino são excepcionais. A seleção sempre consegue manter um nível espetacular. Esse era o desafio, manter nosso voleibol entre os primeiros. A missão era extremamente dura para qualquer um que entrasse. Nós, que estamos há “uma vida” no alto rendimento, usamos essa pressão para trabalhar muito mais. O Bernardinho é insubstituível. Tudo que ele construiu está imortalizado. Nossa missão é dar sequência e manter o mais próximo possível. Se hoje a seleção tem bons resultados, é porque realmente o Brasil trabalha bem o voleibol.

Você é um profissional com muitos anos de envolvimento com o vôlei. Existe preocupação com o futuro dele no País?

É uma pauta extensa, cada um tem uma ideia, eu gostaria muito de ver nesse futuro governo o desenvolvimento do esporte nas escolas. Valorizar isso e desenvolver a prática esportiva dentro da escola. Vai dar reflexo, inclusive, no alto rendimento, terá reflexos sociais, de saúde, de segurança, mais atletas.

Você vem fazendo uma renovação na seleção brasileira e ela deve continuar no próximo ano. Em que pé está isso?

Na seleção, a gente fica preocupado com duas coisas: resultado e renovação. Tem de criar espaço para que esses garotos joguem cada vez mais em nível internacional. O bacana é que a gente percebe que a realidade no mundo mudou bastante. Você vê garotos, mas também atletas maduros atuando no alto rendimento. Antes não passava pela cabeça um jogador de 36 anos em alto rendimento. A longevidade é maior. Claro que vamos levar o que tiver de melhor para as principais competições internacionais, e nas menores vamos abrir espaço para a garotada jogar.

Há bons jovens valores chegando no voleibol nacional?

Tem sim. A seleção sub-19 retomou a hegemonia na América do Sul e isso é importante, pois a Argentina trabalha bem a base. Como temos cinco competições internacionais no próximo ano, em algumas delas vamos pensar em colocar mais em ação a garotada mais jovem. Esses atletas precisam jogar em nível internacional.

No próximo ano você poderá contar com o Leal. Você tem intenção de convocá-lo?

Agora é real. A partir de abril ele tem condições. Pretendo dar um pulo na Itália para falar com alguns jogadores que estão atuando lá e quero conversar com ele, para ver o que pensa. É um cara que pode agregar muito valor ao time. Não descarto a possibilidade de ele estar com a gente. Mas quero falar e ver o que ele pensa. Com certeza tem todos os pré-requisitos para ajudar a seleção.

Os jogadores vão aceitá-lo?

Ele trabalhou muitos anos no Brasil, está jogando lá com o Bruno, é um cara que tem uma relação próxima com o Brasil, conhece o treinamento, os atletas. Quanto a isso, não terá problema algum.

Quais são os objetivos em 2019?

Vamos disputar a Liga das Nações, depois o Pan em Lima, o Sul-Americano e a Copa do Mundo. Entramos em todas as competições com foco total em pódio. Mas planejamento técnico é sem dúvida para a classificatória olímpica, em agosto. É a competição mais importante do ano. Quatro equipes em um grupo. Classifica só o primeiro colocado. A pressão pela vaga é monstruosa.

Você está aí “de molho” em Florianópolis após a cirurgia no joelho. Como está sendo a recuperação e quando estará bom?

Acabei tendo edema ósseo, fiz correção no joelho, que se chama osteotomia, e preciso ficar três meses sem colocar o pé no chão. Em janeiro, acho que já posso viajar. Mas estou usando muleta e cadeira de roda.

Você tem visto partidas da Superliga. Qual é sua avaliação do campeonato até agora?

Vejo cinco ou seis equipes brigando pela liderança numa competição bastante equilibrada. Está me agradando. Alguns clubes estão abrindo espaço para garotos jovens e essa mescla de experiência com juventude é muito bacana. É o modelo de Brasil que sempre deu certo, com garotos tendo oportunidade de representar seus clubes. Sem falar de bons estrangeiros que ajudam a elevar o nível do torneio.

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.