Crise entre Bernardinho e Ricardinho esquenta estréia

Conturbado, o Brasil joga pelo Pan nesta segunda, no Maracanãzinho, contra o Canadá

Erica Akie Hideshima, do Estadão

23 de julho de 2007 | 10h22

A seleção brasileira masculina de vôlei começa nesta segunda-feira a briga pela praticamente obrigatória medalha de ouro no Pan em crise. O motivo foi o corte, anunciado sábado à noite, do levantador Ricardinho. O técnico Bernardinho disse que a dispensa ocorreu por "desgaste na relação". Capitão do time e melhor jogador da recém encerrada Liga Mundial, Ricardinho afirmou que foi traído. O levantador Bruno, filho do técnico da seleção, é o substituto. Giba, melhor amigo de Ricardinho, retoma a braçadeira de capitão. E nesse clima conturbado que o Brasil estréia nesta segunda, às 22 horas, no Ginásio do Maracanãzinho, contra o Canadá (com Globo, Band, SporTV, Record e ESPN Brasil), primeiro passo para quebrar o jejum de 24 anos sem ganhar o ouro em Pans. Ricardinho está inconformado. À ESPN Brasil e ao SporTV, o jogador disse que não sabia o motivo do corte, que se sentia traído e que achava que seu afastamento estava planejado há algum tempo. "Sai de um campeonato em que fui o melhor jogador do mundo para ser cortado", disse. Ele foi destaque absoluto da seleção que conquistou há oito dias, na Polônia, seu sétimo título da Liga Mundial. O jogador também não acredita que o fato de ter se apresentado com atraso, por conta do caos aéreo no País, tenha influído na decisão de Bernardinho. "Eu avisei que chegaria um dia depois porque tive problemas com o aeroporto. O Zé Inácio (chefe de delegação e preparador físico) disse que eu poderia vir para o Rio", contou Ricardinho, que ontem voltou para a cidade de Maringá (PR). "Quando cheguei aqui, não consegui pegar meu uniforme do Pan e nem tinha reserva em hotel, por isso acho que a decisão veio de antes. Cheguei, me chamaram para uma reunião e disseram que eu estava fora." Bernardinho respondeu: "Eu não poderia dar essa notícia por telefone. Conversamos e ele foi embora magoado. Ele tem o direito de se sentir traído como disse, mas eu nunca o traí e isso não foi orquestrado", garantiu. "Para todo desgaste das relações é preciso dar um tempo para as pessoas pensarem, se questionarem e refletirem. Se eu sentir que errei, vou me desculpar e chamá-lo de volta." Patética foi a posição do presidente da CBV, Ary Graça, que no sábado à noite tentava minimizar a crise dizendo que técnico e atleta haviam feito um acordo. Bernardinho desmentiu o cartola, afirmando ser unilateral sua decisão. Em nenhum momento ele ou Ricardinho disseram com todas as letras que brigaram. "O desgaste aconteceu ao longo do tempo. Preferi cortá-lo para não piorar a situação. Se ele estivesse aqui, talvez a situação fosse pior. Vou precisar dele no futuro, não tranquei a porta", justificou Bernardinho. A convocação do filho Bruno, que já estava treinando com o grupo, foi explicada pelo treinador. "O Bruno é o terceiro jogador da posição, já vem sendo há algum tempo", resumiu. De fato, o atleta de 20 anos mostrou seu valor e provou que não está na seleção por causa do pai. Na seleção desde 2006, foi eleito o melhor jogador da última Superliga. Vice-campeão mundial juvenil em 2005, foi questionado por uma tevê se sentia-se favorecido por ser filho do técnico. Tirou de letra a pergunta. Bernardinho irritou-se. Apontou o dedo para o repórter e disse: "Você quer fazer maldade, faça comigo, não com meu filho."

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