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Da escolinha para o Botafogo, Alan, do Sesi, não parou mais no vôlei

Aos 24 anos e com passagens pela seleção de base, oposto aposta alto no penta contra o Taubaté

Catharina Obeid, O Estado de S.Paulo

15 Outubro 2018 | 05h00

Alan Souza tem 24 anos e muita história para contar. Mesmo ao lado de medalhistas olímpicos, é o oposto do Sesi-SP que tem se destacado no time que decide nesta segunda-feira, às 21h30, o título do Campeonato Paulista contra o Taubaté Funvic – o rival venceu o primeiro jogo por 3 sets a 2. No que depender de sua vontade, o clube comandado pelo técnico Rubinho vai conquistar o quinto caneco estadual. “Sou confiante, principalmente durante os jogos. Gosto dos momentos finais, quando tem de decidir, quando vejo a bola vindo para mim e tenho a chance de resolver”, disse ao Estado o jovem de Nilópolis (RJ). 

Alan conta que só foi conhecer o vôlei aos 14 anos, quando, em uma aula de educação física na Escola Municipal Maria da Conceição Cardoso, o professor propôs que a turma diversificasse em vez de jogar só futebol. Na quadra, Alan já se destacava pelo seu tamanho e por isso percebeu que poderia se dar bem. O jogador de dois metros de altura usou o incentivo do professor para se matricular em uma escolinha e, já no primeiro torneio, aos 15 anos, foi “descoberto”. “O técnico do Botafogo me chamou. Perdemos no segundo jogo, mas ele viu algo em mim na quadra. Sempre fui alto e bastante competitivo, mas não era bom tecnicamente.”

Alan passou a treinar com o Botafogo e viu seu tempo ser dividido entre as quase duas horas de transporte público, escola e deveres escolares. “Em alguns momentos, quase desisti”, revela. Em outros, nem teve escolha. “Quando repeti de ano, meus pais me proibiram de jogar, disseram que a prioridade era o estudo. Meu técnico ligou em casa e explicou que eu tinha futuro. Ainda bem. Sem o vôlei não sei o que eu seria”, diz. 

Filho do meio entre outros dois meninos, Alan estudou até onde deu. Aos 17, apareceu oferta para se mudar para Minas e defender o Sada Cruzeiro. Foi quando largou os livros (a contragosto dos pais) para focar no vôlei. Jogou em Minas por seis anos, mas não tinha regularidade. Wallace, ídolo que via pela televisão, e Evandro eram da sua posição. Usou o tempo para observar e aprender. Como resultado, sentiu o gostinho de conseguir se sustentar sozinho. 

“Além de pagar minhas contas, depois de um tempo também pude mandar dinheiro para casa. Foi um dos momentos mais felizes da minha vida, poder ajudar meus pais que estavam passando por um momento financeiro difícil”, diz. “Meu pai era motorista de ônibus e minha mãe, dona de casa. Era complicado criar três filhos.”

Alan evoluiu na técnica e ganhou lugar na seleção de base. Foi campeão sul-americano juvenil, do Mundial Sub-23 e prata na Copa Pan-Americana disputada mês passado, no México. Teve ainda dois prêmios individuais: maior pontuador e melhor oposto. Para ele, esses são os títulos mais importantes já conquistados na sua trajetória, ao lado do vice na Superliga de 2017, já pelo Sesi. Nestas conquistas, ele sempre foi titular.

Pai de Samuel, prestes a completar seis meses, Alan atribui sua boa fase às chances dadas pelo técnico Rubinho. “Ele me colocou de titular ao lado de jogadores campeões olímpicos”, constata. Agora, com o time reforçado por Lucas Lóh e William, que voltaram com a prata do Mundial, o objetivo é superar o rival, que também conta com grandes nomes como Lucão, Douglas e Lucarelli, e ficar com a taça. “A gente erra pouco, essa é nossa maior qualidade. Vamos dar o máximo no saque e no ataque. E apostar no nosso bloqueio, que é muito bom.” 

No ano passado, o Taubaté eliminou o Sesi na semifinal e conquistou seu quarto título.

 

 

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