Denúncia de corrupção deflagra guerra entre CBV e FIVB

Confederação desiste de sediar Fase Final, e Graça promete aplicar todas as penalidades cabíveis à entidade brasileira

Alessandro Lucchetti e Amanda Romanelli, O Estado de S. Paulo

12 de dezembro de 2014 | 21h52

 As denúncias de corrupção na gestão de Ary Graça à frente da Confederação Brasileira de Vôlei e a reação dos atuais mandatários desembocaram numa guerra declarada entre a Federação Internacional (FIVB), hoje presidida por Graça, e a CBV. No final da tarde desta sexta-feira a FIVB anunciou punições ao técnico Bernardinho e aos jogadores Murilo, Bruno e Mário Júnior por supostas infrações disciplinares ocorridas durante o Mundial da Polônia, em setembro. Em retaliação, a CBV anunciou que não iria mais sediar a Fase Final da Liga Mundial, em julho, “em solidariedade aos punidos”. Pouco depois, a FIVB anunciou que aplicará à CBV todas as penalidades impostas pelo regulamento esportivo caso não reveja a decisão de abrir mão de sediar a Fase Final.

“A FIVB declara que o presidente Ary Graça não tem qualquer ingerência na decisão do painel disciplinar da Federação, que decidiu pela punição para os jogadores e treinador tendo em vista sua conduta durante o Mundial de Voleibol na Polônia em 2014. Trata-se de um órgão disciplinar absolutamente independente, que recebe denúncias do Presidente do Comitê de Controle de cada competição”, diz comunicado emitido pela entidade.

Segundo a CBV, a punição aplicada a Bernardinho e aos jogadores é uma retaliação “ao posicionamento da CBV de acionar judicialmente os responsáveis pelos contratos e pagamentos suspeitos na gestão do ex-presidente Ary Graça”.

Bernardinho foi punido com dez jogos de suspensão e multa de US$ 2 mil (R$ 5,3 mil). O líbero Mário Junior recebeu seis jogos como punição, Murilo está suspenso por um jogo e o capitão da seleção , Bruno Resende, foi multado em US$ 1 mil (R$ 2,65 mil). Em entrevista concedida ao Estado antes da publicação das punições, o superintendente-geral da CBV, Neuri Barbieri, disse que agiu durante o Mundial para evitar que os brasileiros fossem punidos dentro da competição. 

Segundo a Controladoria-Geral da União, as irregularidades detectadas no período entre 2010 e 2013, ainda na gestão de Graça, somam R$ 30 milhões.

Barbieri diz que Graça se manifestou contra a decisão de franquear à CGU o acesso aos documentos da CBV. “Ele disse que a CGU não tem competência para realizar auditoria numa entidade privada, mas já foi firmada jurisprudência no sentido de que a verba repassada por uma sociedade de economia mista (o Banco do Brasil) pode ser objeto de auditoria da Controladoria-Geral.”

A CGU não vai limitar o escopo da sua investigação ao dinheiro repassado pelo Banco do Brasil à CBV, estimado em R$ 70 milhões anuais.

O Ministério do Esporte informou, em nota de sua assessoria de imprensa, que a Controladoria vai auditar todos os acordos celebrados entre a entidade esportiva e o governo federal. De 2011 para cá, a CBV recebeu um total de R$ 46,2 milhões por meio de convênios com o Ministério do Esporte.

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