Dirigente nega dívida com jogadores durante nova gestão

Superintendente da CBV diz que pagou ou acordou pagamentos dos compromissos; Lipe diz que não recebeu prêmio de 2011

Alessandro Lucchetti, O Estado de S. Paulo

12 de dezembro de 2014 | 20h38

 Neuri Barbieri, superintendente-geral da CBV nomeado em março, diz que a Controladoria-Geral da União cometeu erros nos relatórios que apontam irregularidades na administração da verba de patrocínio que o Banco do Brasil repassa à confederação. Segundo ele, na gestão do atual presidente da entidade, Walter Pitombo Larangeira, o Toroca, a CBV pagou regularmente os Bônus de Performance aos atletas e membros das comissões técnicas (premiação por conquistas esportivas) – o BB repassa R$ 10 milhões anualmente para esse pagamento.

“Pagamos esses R$ 10 milhões de Bônus. Ainda não foram pagos os valores referentes à conquista da prata no Mundial masculino e ao bronze no feminino, mas existe um acordo para que tudo seja pago em janeiro, com verba de 2015.”

Segundo Barbieri, não chegou a ele nenhum pedido de atletas ou treinadores para pagamento de bônus atrasados.

Mas o ponta Lipe, da seleção brasileira, hoje no Taubaté, diz que até hoje não viu a cor do dinheiro da premiação pelo ouro dos Jogos Pan-Americanos de 2011. "Nunca recebi um real. Dessa competição posso falar porque participei. Das outras não sei".  

Outro erro que a CGU teria cometido, segundo Barbieri, foi apontar o pagamento de salários em duplicidade ao diretor de eventos da CBV, Marcelo Wander.

“O Marcelo ficou arrasado com essa acusação. Refuto veementemente essas acusações e tenho como provar que a CGU cometeu esses equívocos.”

Barbieri diz que, das recomendações feitas pela CGU no relatório, 90% já foram adotadas.

“Falta apenas colocarmos uma pessoa para acompanhar todos os processos internos (auditoria) e colocarmos representantes dos técnicos e atletas no Conselho Fiscal e na Assembleia Geral. Na semana que vem vamos oferecer todas as informações que comprovam nossa adequação e acredito que o BB vai retomar os pagamentos.”

Barbieri procura desfazer a impressão de que Toroca, que foi vice-presidente da CBV por 30 anos (nas gestões de Carlos Arthur Nuzman e Graça), seja "farinha do mesmo saco" de Graça. "Toroca é uma pessoa de 81 anos acostumada a lidar com as dificuldades da Federação Alagoana, que inclusive ajudou a sustentar com recursos pessoais. Até pela sua idade, não é um exemplo de gestor moderno, mas tem uma conduta ilibada do ponto de vista ético e moral. Posso garantir que as federações estaduais e o Toroca jamais tiveram acesso a informações sobre a contratação, pela CBV, de empresas pertencentes ou ligadas a dirigentes ou familiares da confederação. O Toroca dava apenas respaldo político a Graça, em sua área, o Nordeste".

Barbieri, que há 33 anos ocupa o cargo de presidente da Federação Paranaense, diz que já teve sérias divergências com Graça. "Minhas divergências com ele eram de natureza filosófica. Fui por muitos anos considerado seu único opositor. O Paraná praticamente nunca teve grandes equipes. Nossa preocupação sempre foi com a formação, e posso citar Giba e Emanuel como atletas formados no nosso estado. O Ary nunca apoiou as federações no trabalho de formação. Assumi o compromisso de ajudá-las. A partir de 2015 realizaremos todas as competições em Saquarema, com pagamento de passagens, hospedagem e alimentação aos atletas". 

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