Drama de Ronaldo assusta Negrão

O complicado retorno do atacante Ronaldo aos gramados, após 17 meses de recuperação de um rompimento do tendão patelar direito, assusta Marcelo Negrão. Em maio, quando voltava à seleção brasileira de vôlei, Negrão escorregou na primeira bola de ataque, contra a Holanda, na Liga Mundial, e sofreu a mesma contusão do jogador da Inter de Milão. "Ele é meu parâmetro e quando vejo que não está 100%, fico com medo", admite Negrão, há quatro meses longe das quadras. Quando rompeu o tendão em abril, Ronaldo voltava de um ?jejum? de um ano - havia operado os ligamentos do joelho.Marcelo Negrão, de 28 anos, foi submetido a duas cirurgias com o ortopedista Dan Oizerovici, especializado em medicina esportiva, no Hospital Albert Einstein. Fez a reparação do tendão rompido, um enxerto de outro tendão - da parte posterior da coxa direita - e colocou um fio de aço em volta da rótula, para cicatrização mais rápida. Após dois meses, retirou este fio e intensificou a fisioterapia. "Hoje dobro o joelho totalmente e corro de leve. Acho que poderei jogar o final da Superliga."Mas, para Oizerovici, Negrão deve voltar a jogar em seis ou oito meses. "Não está tão rico como o Ronaldo e por isso quer voltar logo", brincou o médico. Atualmente, o jogador está recebendo ajuda de custo de R$ 3 mil da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV).O ortopedista explica que o vôlei exige mais do joelho do que o futebol e por isso, a recuperação de Negrão tem de ser cuidadosa. Oizerovici ressaltou que Negrão tem um joelho "doente" há dez anos. Desde os 16, quando jogava nas seleções infanto-juvenil e juvenil. "No futebol, o atleta corre o tempo inteiro e às vezes dá aquele arranque. Mas no vôlei, salta em todo ataque, estica e dobra a perna a todo o momento", comparou.Negrão faz fisioterapia cinco vezes por semana. Alterna exercícios na piscina com musculação. "Os atacantes podem compensar a impulsão com a cortada. Mesmo que eu salte menos do que podia, voltarei à seleção." Oizerovici diz que a confiança e o alto astral do atleta estão sendo determinantes. "Os ?de bem com a vida? ficam melhores mais rápido."

Agencia Estado,

03 de outubro de 2001 | 18h26

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