Paulo Frank/CBV
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'É o momento de os atletas terem voz para melhorar o esporte', diz Emanuel

Veterano do vôlei de praia mostra engajamento como presidente da Comissão de Atletas do COB

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

26 de março de 2014 | 09h00

SÃO PAULO - Em seu sexto ciclo olímpico e cada vez mais próximo da aposentadoria, Emanuel começa a procurar motivação fora do vôlei de praia. E ele a tem encontrado no trabalho como presidente da Comissão de Atletas do Comitê Olímpico Brasileiro. Neste ano, decidiu ficar mais engajado politicamente e passou a dedicar um dia da semana para a função. O jogador é o primeiro porta-voz eleito pelo COB, antes o grupo era formado por convidados da entidade.

Após a mudança do estatuto, em fevereiro, Emanuel ganhou poder de veto nas assembleias e, com uma ideia mais clara do seu papel, assumiu a área de Gestão de Logística e Legado. No cargo, o atleta desenvolve um plano de ação para que a associação fique responsável pela escolha de embaixadores. "A gestão de qualquer evento que o COB precise de atletas como embaixadores vai ser feita pela comissão", explica.

Emanuel tenta abrir os olhos dos atletas diante da importante missão de colaborar com o futuro de esporte. Para ele, é preciso contribuir e não apenas reclamar. O objetivo de seu projeto é aproximar a comissão e os representados e, com união, dar força para a categoria diante de suas necessidades. "Nossa função é fazer com que todos tenham opiniões para agregar. Acho que o atleta sempre foi deixado de lado nas maiores decisões. É o momento de ter uma representação, de os atletas terem voz para melhorar o esporte que participam."

Na visão do jogador de vôlei de praia, todas as modalidades devem ter reivindicações coletivas e não apenas lutar por questões individuais. Ele cita o ginasta Arthur Zanetti como um exemplo a ser seguido. "O Arthur tem quebrado o paradigma no esporte dele. Não está questionando coisas pontuais, quer uma estrutura para toda a equipe treinar. Acho que essa é a perfeita ideia do atleta hoje em dia", exalta. Com essa postura, Emanuel acredita que a classe aos poucos ganha mais respeito das confederações.

O processo de credibilidade também é importante na busca por patrocínios e não é novidade que muitas modalidades olímpicas encontrem dificuldades para conseguir auxílio de uma empresa privada. Mas o veterano, de 40 anos, aponta que o atleta precisa descartar a antiga visão de esperar ser procurado pelos patrocinadores. Em sua opinião, o esportista deve se ver como um produto, que pode representar bem uma marca.

"As empresas querem algo que vincule uma imagem positiva. O atleta deve chegar lá e se vender: 'Eu sou assim, falo desse jeito e posso ser bom para a sua marca para isso'. Se um dia todos nós conseguirmos termos essa visão, aí os patrocínios vão sobrar no Brasil", analisa.

Com os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, o País canaliza os seus investimentos para o esporte de forma que os atletas servirão como referência e motivação para as próximas gerações. Esse legado cultural é o que dá expectativa para Emanuel. "Quando você vê um ídolo, pode ser até estrangeiro, você realmente se motiva. Nos dois anos seguintes à Olimpíada, vão ter muitas pessoas querendo se engajar nas escolinhas", projeta. Mas se isso gera empolgação ao jogador, o restante é visto com desconfiança. "A cultura do esporte será introduzida . Já não sei o que pode acontecer com a parte estrutural."

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