Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Expoente da nova geração, Rosamaria quer se consolidar na seleção de vôlei

Versátil, ponteira trabalha para conquistar confiança de Zé Roberto no Grand Prix

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

29 de junho de 2017 | 07h01

"Tenho uma foto com a Sheilla e com a Thaísa em Saquarema, em 2012, quando elas chegaram com a medalha olímpica. Já faz cinco anos e hoje estou tendo oportunidade na seleção. Às vezes, a ficha não cai. Já passei por muita coisa e espero passar por muitas outras para ter uma medalha igual a delas", sonha Rosamaria. Aos 23 anos, a jogadora é um dos expoentes da nova geração do vôlei brasileiro.

 

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Enquanto algumas titulares da seleção, como Dani Lins e Fernanda Garay, decidiram fazer de 2017 um ano sabático, as mais jovens usam o período para ganhar experiência internacional e conquistar a confiança do técnico José Roberto Guimarães.

Na primeira competição do novo ciclo olímpico, uma equipe recheada de novos rostos faturou o sétimo título do Torneio de Montreux, na Suíça. O amistoso com a Polônia nesta quinta-feira, às 21h30, em São Paulo, é o último ensaio para o próximo desafio: o Grand Prix, que será disputado de 7 de julho a 5 de agosto. Sincronia é a característica mais desejada por Zé Roberto - à espera do retorno de alguns de seus pilares - para o grupo em formação. "A gente espera que o time tenha sintonia, discernimento e sensibilidade para que nosso passe seja sempre um dos melhores", avalia.

E a bola passa cada vez mais pelas mãos de Rosamaria, que hoje atua como ponteira. Sua estreia na seleção adulta ocorreu nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015. Ganhou oportunidade na posição de oposta e teve ao seu lado o respaldo de Jaqueline e outras atletas consagradas. Mas não era esse papel que Zé Roberto tinha em mente - desde os tempos do Campinas - para a jogadora de 1,85 m, considerada "baixinha" para a função. 

A transição foi gradual até ela incorporar de vez mudança no clube Camponesa/Minas durante a última temporada da Superliga de Vôlei. Referência no ataque, Rosamaria trabalha para desenvolver os aspectos defensivos. Versatilidade é um de seus trunfos na busca de espaço na seleção brasileira. "O mais importante é dar opções para o técnico, fazer uma bagunça na cabeça dele. Sei que preciso muito evoluir, mas estou tendo paciência e quero continuar nessa crescente." 

E Zé Roberto valoriza tal qualidade. "É uma jogadora importante porque é versátil e pode atuar nas duas posições, bem como a Tandara e a Natália. Essa variação pode ser usada durante os jogos para que o adversário não nos marque de uma forma adequada."

No Torneio de Montreux, Rosamaria foi titular da equipe nacional pela primeira vez e sagrou-se a maior pontuadora da decisão diante da Alemanha, com 15 pontos, ratificando sua evolução ao longo da disputa. "Agora é a nossa hora, é minha chance de mostrar que posso brigar e posso estar aqui mesmo quando as meninas com história na seleção voltarem. A gente tem de aproveitar todas as oportunidades que estão sendo dadas", reconhece. 

Paciência é uma das palavras repetidas pela jogadora diversas vezes em seu discurso. Ela não tem pressa, mas tem vontade. Com tranquilidade, trabalha para se consolidar entre as selecionáveis. "Quando vejo pessoas sendo minhas fãs, penso: 'Eu realmente cheguei aqui'. Pode ser um baque no início, agora preciso pensar em como vou me manter." Dando um passo de cada vez em quatro anos, quer chegar do outro lado do mundo para buscar a tão desejada medalha nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020.

 

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