Fernanda Venturini pede para voltar à seleção na Olimpíada

Há um ano sem jogar, levantadora envia um e-mail para o técnico Zé Roberto e se oferece para ir a Pequim

Heleni Felippe, O Estado de S. Paulo

01 de abril de 2008 | 20h29

O técnico da seleção brasileira feminina de vôlei, José Roberto Guimarães, afirmou que encontrou em sua caixa de e-mails a mensagem de Fernanda Venturini se colocando à disposição para voltar a jogar - está parada há um ano - e disputar a Olimpíada de Pequim, em agosto. De volta da Europa, onde fez um giro para espionar as adversárias e saber como andam as brasileiras que atuam por lá, ele não quis adiantar se ex-levantadora pode entrar em seus planos na convocação que sai logo após o fim da Superliga, ainda neste mês. A julgar pela forma como terminou a passagem de Fernanda Venturini pela seleção de Zé Roberto, nos Jogos de Atenas, em 2004, ela dificilmente será chamada agora, aos 37 anos, e sem ter tido nenhuma participação no ciclo olímpico que termina em Pequim. Desde que a levantadora deixou as quadras, a seleção brasileira teve Fofão, Carol Albuquerque e Fabíola na posição. A talentosa levantadora integrou a geração de Ana Moser, medalha de bronze em Atlanta (1996), e voltou a defender a seleção, com o técnico Zé Roberto, em 2004 - achava que o Brasil poderia ter levado o ouro olímpico, com o qual tanto sonhava encerrar carreira. Mas, após o frustrado quarto lugar nos Jogos de Atenas, deixou a seleção dizendo que não voltaria a jogar "nem por US$ 1 milhão".  Depois, Fernanda Venturini despediu-se do vôlei de clubes em abril de 2006, com o 11º título de campeã brasileira. Ainda voltou, em fevereiro de 2007, para jogar por três meses pelo espanhol Múrcia. E, desde maio de 2007, está parada. Agora, no entanto, ela surpreende com esse pedido para voltar. A lista de convocadas para a Olimpíada terá 19 nomes. Zé Roberto não disse se gostou ou não da atitude da jogadora, nem mesmo sinalizou se poderá ou não incluí-la no grupo. "É assunto que gostaria de acertar depois. Não posso falar nada, nem sobre levantadoras. É delicado. Ainda tenho de ouvir o Paulinho (Paulo Coco) e o Claudinho (Claudio Pinheiro), da comissão técnica, sobre a lista final", contou o treinador, que voltou ao Brasil nesta terça-feira. O técnico, no entanto, promete fechar os planos para a seleção na semana que vem. Não decidiu se trabalhará com um ou dois grupos por causa do Grand Prix, que termina um mês antes da Olimpíada - o Brasil jogará a primeira semana na China, a segunda no Vietnã e a terceira no Japão, onde serão as finais. Zé Roberto revelou também que gostou de ver a boa forma das jogadoras brasileiras na Europa - citou Jaqueline, Fofão e Walewska, no espanhol Múrcia.  O estremecimento na relação de Zé Roberto com Fernanda Venturini, que envolveu também o marido da levantadora, o técnico Bernardinho, ocorreu depois dos Jogos de Atenas. Na época, Zé Roberto ficou sabendo que Fernanda teria levado durante a Olimpíada informações da seleção para Bernardinho, que estava na Grécia como técnico da seleção masculina de vôlei do Brasil, para discutir erros e acertos do grupo.  "Ela me entrevistou, trabalhando pela Record, no Pan do Rio. Está tudo bem", disse Zé Roberto, garantindo que aquele problema de 2004 já foi superado.

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