Fernanda Venturini se despede do vôlei em alta

A levantadora mais consagrada do vôlei brasileiro despediu-se neste domingodas quadras em alto estilo: Fernanda Venturini conquistou seu 12.ºtítulo nacional, na vitória do Rexona-Ades sobre o Finasa/Osasco, e foieleita a melhor da posição da Superliga. Um desfecho de ouro para quemse eternizou na história do esporte, após 25 anos de carreira.?Sei que meu nome estará no museu do vôlei internacional. Agora, querocurtir a vida, cuidar da minha filha (Julia, de 5 anos)e pensar emproduzir mais um bebezinho?, disse Fernanda, de 35 anos, em meio àcomemoração. Ela avisou, porém, que não vai largar totalmente oesporte. Nem tem como.Casada com Bernardinho, técnico do Rexona/Ades e da seleção masculina,o vôlei é assunto doméstico. No entanto, ela não quer ser treinadoranem pensa em atuar na praia. Estuda a possibilidade de participar deprojetos sociais e ministrar um curso para levantadoras, ?talvez emSaquarema (Região dos Lagos), no Centro de Desenvolvimento doVoleibol?.?Meu marido é um louco por esse esporte. Parei porque cansei da rotinada vida de atleta. Gosto de mudanças. Não tenho mais vontade de jogar evontade não se compra na farmácia ou no supermercado?, afirmou. ?Pormim, ficaria um ano todo em casa e só voltaria a jogar para disputaruma final como a de hoje (domingo). Isso ainda me estimula.?Nascida em Araraquara, ela se orgulha do passado. Aos 11 anos, começoua jogar vôlei na Cava do Bosque, em Ribeirão Preto. Com 15, mudou-separa a capital atrás de um sonho: ser profissional. Desde cedo, além dobloqueio adversário, aprendeu a superar dificuldades.Ao lembrar do seu esforço, não tem dúvida de que venceu no esportetambém pela perseverança: ?Sou uma jogadora guerreira e batalhadora.Sempre fui determinada e busquei conquistar todos os títulos dascompetições que disputei?, disse ela, com a filha sempre por perto. Seu currículo repleto de títulos não a deixa mentir. Entre os maisimportantes estão a medalha de bronze na Olimpíada de Atlanta (1996) ea de prata no Mundial do Brasil (1994). ?O vôlei me deu tudo na vida:uma boa condição financeira, amigos, meu marido e minha filha. ParoFeliz?. Ela minimizou o fato de não ter ido às finais na Olimpíada de Atlantae o 4.º lugar no Mundial do Japão (1998). Além disso, ficou fora dosJogos de Sydney (2000), quando o Brasil trouxe o bronze. ?Não ficofrustrada. Isso faz parte do esporte. Sou vencedora.?Fernanda contou que presenteará seus principais fãs com todos os seusuniformes. ?Fiz uma lista dos que mais me acompanharam e vou dar paraeles todos os meus materiais. Merecem. Hoje pela manhã (domingo), játinha vários buquês de flores no hotel?, disse, emocionada. Sobre a nova geração, Fernanda acredita que possa surgir uma atletacom seu nível técnico. ?No Brasil, temos a japonesinha (Ana Tiemi) e aDani Lins. Mas são talentos para o futuro. Não será imediato. Tudo navida são ciclos.? O dela se encerrou neste domingo. ?Os meus fãs, com certeza,estão mais tristes do que eu?.

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