Rafinha Oliveira/EMS Taubaté Funvic
Rafinha Oliveira/EMS Taubaté Funvic

Finais do vôlei tentam ajudar jovens de Suzano a superar dor do massacre

Atletas da decisão da Superliga Masculina estão se encontrando com vítimas da escola Raul Brasil

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2019 | 04h30

As finais da Superliga Masculina de Vôlei estão tentando ajudar os moradores de Suzano, na Grande São Paulo, a superar as tristes lembranças do massacre ocorrido na escola estadual Raul Brasil, no dia 13 de março. A Confederação Brasileira de Vôlei, com o apoio da prefeitura local, está promovendo várias ações para estimular a participação das vítimas do massacre na decisão do torneio. 

A Arena Suzano, palco da partida deste sábado entre EMS Taubaté Funvic e Sesi-SP, foi o mesmo local do velório das vítimas da tragédia na qual os assassinos de 17 e 25 anos invadiram a escola e mataram sete pessoas entre alunos e funcionários. Dois meses depois, a intenção das ações é fazer com que o ginásio supere a dor da tragédia com a ajuda do voleibol. O título pode ser definido neste sábado. O Taubaté, que lidera a série melhor de cinco jogos por 2 a 1, só precisa de mais um triunfo para ser campeão. O Sesi precisa vencer para forçar o quinto jogo.

“Espero que o voleibol tenha colocado mais um tijolinho nesse processo de reconstrução do ânimo das pessoas de Suzano”, afirmou Renato D'Avila, superintendente da CBV.

Neste sábado, Leandro Vissotto, oposto do EMS Taubaté Funvic, vai se encontrar com o estudante José Vitor Ramos Lemos, um dos sobreviventes. Após o massacre, o aluno de 18 anos chegou caminhando sozinho ao Hospital Santa Maria, a duas quadras do colégio, com uma machadinha cravada na clavícula direita. Ele foi submetido a cirurgia e está bem.

Na última partida, José Vitor entregou o prêmio Viva Vôlei para Vissotto. Agora, vai receber uma camisa autografada do melhor jogador da terceira partida da decisão. No final do jogo 4, a CBV planeja que outro sobrevivente entregue o troféu de melhor jogador da partida. “A entrega do prêmio foi rápida. Quero reencontrá-lo com calma e conversar com ele”, disse Vissotto ao Estado. “Todos nós ficamos sensibilizados com o que aconteceu e queremos tentar confortar toda a cidade”, completou o campeão mundial com a seleção brasileira em 2010.

A aproximação dos atletas com a comunidade já havia acontecido ao longo da semana. Os estudantes Samuel Felix, de 14 anos, Rayane Barros, de 16, e Yanne Cezário, de 17, que também sobreviveram à tragédia, acompanharam os treinos das duas equipes. Os capitães Raphael, do Taubaté, e William, do Sesi, doaram camisetas e uma bola oficial para a escola.

Vários fatores levaram as finais da Superliga para Suzano. O primeiro deles é a ligação histórica da cidade com o voleibol. Suzano já foi chamada de 'Cidade do Vôlei" nos anos 1990 e 2000, quando o time da cidade conquistou três títulos nacionais antes de encerrar as atividades em 2005.

Na reabertura do ginásio no ano passado, reuniões entre a CBV e a prefeitura de Suzano discutiram iniciativas para a retomada da modalidade na região. Um dos projetos aponta a realização de amistosos da seleção brasileira, de uma Liga das Nações em 2019 e até a criação de uma equipe de vôlei. Neste ano, os dois finalistas da Superliga tomaram a iniciativa de decidir o troféu em Suzano em virtude das boas condições do ginásio, que tem capacidade para cerca de seis mil pessoas. Para o jogo deste sábado, a expectativa dos organizadores novamente é de casa cheia, principalmente com crianças e adolescentes que possam se apaixonar de novo pelo vôlei.

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