'GP é preparação para busca do título inédito no Mundial', afirma

Jogadora adverte para o fato de que a equipe ainda precisa melhorar muito para atingir o estágio desejado por Zé Roberto

Entrevista com

Dani Lins

O Estado de S. Paulo

08 de agosto de 2014 | 05h00

A seleção feminina de vôlei viveu um período de entressafra na posição que é ocupada pelo "cérebro" do time em quadra, a de levantadora. Mas o período de alternância de jogadoras, que permaneceu até a Olimpíada de Londres, já não existe mais. Dani Lins é, desde então, titular absoluta da equipe de José Roberto Guimarães, e comemora o bom momento tanto na seleção quanto no clube - na próxima temporada, voltará a jogar no Molico/Osasco, time em que começou sua carreira profissional, após três temporadas no Sesi.

Nesta sexta-feira, Dani e a seleção abrem a segunda semana do Grand Prix, no Ginásio do Ibirapuera - o torneio é o principal teste antes do Mundial da Itália, em setembro. O jogo inaugural é contra a Coreia do Sul, às 14h45, diante da habilidosa ponteira Kim, sempre destacada por Zé Roberto como a melhor do mundo na posição. Nos outros dois dias, mais pedreiras pela frente: no sábado, o Brasil enfrenta a Rússia e, no domingo, encara as americanas, dois adversários para quem perdeu nesta temporada. As partidas serão às 10 horas. Em entrevista ao Estado, Dani, de 29 anos, fala um pouco sobre a campanha no Grand Prix, a expectativa para o Mundial - único título que falta à seleção bicampeã olímpica - e a mudança de clube.

A seleção fez uma primeira semana impecável no Grand Prix. Quais os pontos positivos tirados das três vitórias na Itália?

Conquistamos três vitórias importantes na primeira etapa e, no geral, o time se comportou bem em todos os fundamentos. No entanto, estamos cientes de que precisamos seguir trabalhando para crescermos ainda mais durante a competição. O Grand Prix é um campeonato muito difícil e precisamos evoluir a cada etapa.

Em casa, a seleção enfrentará adversários muito complicados. Vocês não conseguiram ganhar da Rússia e dos EUA, com quem fizeram quatro amistosos, neste ano. O que fazer para vencê-las?

Rússia e Estados Unidos são sempre adversários muito difíceis de serem batidos. São equipes muito fortes e que estão entre as favoritas em todas as competições que disputam. Para vencer esses dois times precisamos estar muito concentradas durante toda a partida e colocar em prática o plano de jogo determinado pela comissão técnica. Será fundamental realizarmos todos os fundamentos em alto nível para vencer esses dois rivais.

Muito se falou da pressão de defender o País jogando em casa, devido à Copa do Mundo de futebol. Para o vôlei, atuar em casa é algo corriqueiro. A torcida, para vocês, é um auxílio?

Eu gosto muito de jogar no Brasil e ao lado da nossa torcida. Tenho certeza que é um auxílio importante ter o apoio dos brasileiros e contamos com isso agora e nos Jogos Olímpicos. Sempre escuto que atuar em casa pode ter uma pressão extra, no entanto, prefiro não encarar nada como pressão porque não faz bem. Penso que temos que jogar felizes e mostrar em quadra a alegria que temos de jogar vôlei e representar o Brasil.

O Grand Prix é a antessala do Mundial da Itália. Apesar de a temporada estar no início, o que você pode dizer da expectativa para essa competição, único título que falta à seleção feminina?

O Brasil esteve muito perto deste título Mundial nas últimas duas edições, quando ficamos com a medalha de prata. A expectativa para a disputa do Mundial é a melhor possível. Queremos muito conquistar esse título para o Brasil e é a única conquista que falta para a nossa equipe. Estamos cientes de que para chegarmos aos nossos objetivos teremos que trabalhar bastante e com muita intensidade. A nossa vontade de ganhar títulos é muito grande e vamos brigar pelo título do Grand Prix também.

Você tinha mais um ano de contrato com o Sesi. Por qual motivo decidiu romper o compromisso e voltar ao Molico/Osasco?

Eu tive uma ótima temporada no Sesi, mas resolvi aceitar o convite do Molico/Osasco porque estava com muita vontade de regressar ao clube da cidade onde tudo começou na minha vida. Eu saí de Recife e minha primeira oportunidade foi em Osasco e estou muito feliz com esse retorno. É um clube com uma estrutura muito boa e que oferece as melhores condições de trabalho para as atletas.

Antes da final da Superliga, você disse que estava com saudade de disputar títulos. Voltar a Osasco significa estar mais perto de poder voltar a ganhar uma Superliga, por exemplo?

Osasco é um time com muita tradição e acostumado a frequentar pódios e a conquistar títulos. Na última temporada pelo Sesi estive perto de voltar a ganhar uma Superliga, mas acabei com o segundo lugar. Quando aceitei atuar pelo Molico/Osasco na próxima temporada foi com o objetivo de voltar a ser campeã da Superliga, que é a principal competição do voleibol brasileiro, e também a ganhar outros campeonatos importantes.

Você deixou a equipe no início de sua carreira como profissional. Como vê seu retorno ao time, agora, como campeã olímpica?

Eu cheguei em Osasco muito nova, em 2000, e nesta minha segunda passagem sou uma jogadora muito mais madura e com a experiência de ter jogado em grandes equipes e conquistado títulos importantes, como os Jogos Olímpicos de Londres-2012. Agora, com 29 anos, sei ainda mais da importância que uma levantadora tem para a equipe e vivo um dos melhores momentos da minha carreira.

Durante sua primeira passagem no Osasco, você passou por um momento difícil na carreira, a descoberta e a superação de uma arritmia cardíaca. Como é ver esse período agora, dez anos depois?

Realmente foram momentos muitos difíceis para mim. Não é fácil conviver com a incerteza se poderia seguir fazer o que amo, que é jogar voleibol. Já faz dez anos que superei aquele momento e uma década depois eu olho para trás e me sinto uma vitoriosa. Tenho uma carreira consolidada, sou feliz na minha profissão e também na minha vida pessoal.

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