Divulgação/Moda Maringá
Divulgação/Moda Maringá

Japonês que é fã de Ricardinho realiza sonho de treinar ao lado do ídolo

Momota Shimada, o 'Momo', topou assinar com o Moda Maringá mesmo sem ter a chance de jogar

Alessandro Lucchetti, O Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2013 | 19h36

SÃO PAULO - O levantador Ricardinho vivencia os últimos anos de sua carreira, mas sua categoria continua impressionando um velho fã, que cruzou um oceano para treinar ao lado do ídolo. Trata-se do japonês Momota Shimada, ou Momo, como é conhecido nas quadras brasileiras.

Corria o ano de 2003, quando Ricardinho vivia seu auge na carreira e o Brasil foi campeão da Copa do Mundo, impressionando o jovem Shimada - o time de Bernardinho confirmava então seu favoritismo ao ouro olímpico, que veio a conquistar nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004.

"Eu tinha 16 anos, e ver a seleção brasileira e a forma como o Ricardinho jogava foi chocante para mim. Coloquei na cabeça que queria ser jogador e decidi realizar meu sonho". O então adolescente foi presenteado com um par de tênis pelo então levantador titular do Brasil.

Shimada foi aprovado em testes e começou a jogar no Japão, alcançando lugar no Sakay Blazers. Não satisfeito, fez contatos com equipes brasileiras da Superliga, mas não encontrou vaga. "Meu agente conseguiu um contrato com um time da Croácia (Haok Muladost) e fui campeão da primeira divisão lá".

Graças à ajuda de uma amiga brasileira da colônia japonesa, Shimada conseguiu vaga para defender o Atibaia, modesta equipe que disputa a Superliga B. Depois de passar um ano e meio na estância climática, o oriental conseguiu contato com Ricardinho, que neste ano criou sua própria equipe, o Moda Maringá, depois da dissolução do Vôlei Futuro.

Shimada deverá ter poucas chances de jogar, porque as duas vagas de estrangeiros, o limite permitido pela CBV, serão preenchidas pelo argentino Quiroga e pelo líbero norte-americano Dustin Watten. Mesmo assim, está empolgado com a oportunidade de treinar com Ricardinho. "Eu já imitei muito o Ricardinho, e continuo imitando. Já aprendi muita coisa. Tenho que sentir velocidade do jogo aqui, porque bola é muito rápida. Também tenho que aprender melhor português", disse Momo, expressando-se com razoável desenvoltura, por telefone, em entrevista ao Estado.

Shimada passou maus bocados poucas semanas depois de chegar a Atibaia, ao receber as notícias do tsunami. Enquanto tentava se concentrar em bolas de tempo e fintas, preocupava-se com a mãe, que tem um restaurante em Tóquio. Aliviado ao saber que ela estava bem, e animado com a reconstrução do país, pôde dar continuidade ao seu aprendizado no vôlei brasileiro. 

Segundo Marcelo Paulinetti, o treinador da Climed/Atibaia, Momo terá que apresentar maior regularidade se quiser cavar lugar efetivo em equipes de primeira linha do Brasil. "Ele tem um potencial bom, mas seu desempenho varia muito. Precisa apresentar menos altos e baixos".

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.