CBV/Divulgação
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Jogadores se revoltam com irregularidades no vôlei e cogitam boicote

Atletas pedem união para que o esporte recupere o seu prestígio e exigem que os envolvidos em corrupção sejam severamente punidos

O Estado de S. Paulo

12 de dezembro de 2014 | 11h30

As denúncias envolvendo a Confederação Brasileira de Vôlei, comprovadas através de um relatório da Controladoria Geral da União gerou revolta em todos no mundo do vôlei. Por meio das redes sociais, atletas e ex-atletas se mostraram indignados com as irregularidades no esporte mais vitorioso do Brasil nos últimos anos e cogitam um boicote até que tudo seja esclarecido.

"Nós não vamos nos calar", postou em seu Twitter o levantador da seleção brasileira Bruninho, não escondendo toda a sua tristeza com o cenário do vôlei no Brasil, divulgado através de uma série de denúncias feitas pela ESPN Brasil, que culminou com o encerramento da parceria do esporte com o Banco do Brasil, apoio que já durava 23 anos.

Murilo, um dos jogadores mais experientes da seleção, também fez questão de comentar o fato e exigiu explicações. "Por favor não me venham com nota oficial para comentar sobre a matéria. É hora de dar as caras e se explicar". O atleta, em entrevista à ESPN, resumiu a situação como "uma grande traição" e que "o mais importante é atuarmos juntos e que as pessoas sejam punidas pelo mal que fizeram ao vôlei", não descartando um boicote à seleção: "Ainda não tocamos no assunto, vamos esperar... Confio que a nova gestão da CBV possa fazer alguma coisa. Devem se pronunciar diante das câmeras e dizer quais atitudes serão tomadas. Mas, pessoalmente, não descarto a possibilidade. Se nada for feito, um boicote à seleção pode ajudar a pressionar".

O irmão de Murilo, Gustavo, campeão olímpico com a seleção brasileira em 2004, foi outro a mostrar insatisfação com a situação, compartilhando mensagens enviadas a ele por fãs. "É melhor sofrer agora e cortar o mal pela raiz do que manter essa podridão toda que só mancha a luta e o suor de vocês"

O sentimento é parecido com o da ex-jogadora Ana Moser, que defendeu a seleção durante anos e é considerada uma das grandes referências do vôlei brasileiro. Ela, que hoje em dia trabalha incentivando a prática de esportes e educação para as crianças carentes, quer união para o esporte dar a volta por cima: "O voleibol brasileiro é maior do que isso. Muito maior. Hora da comunidade do voleibol se unir para reconstruir".

ENTENDA O CASO
A reportagem desta quinta-feira da ESPN cita que o relatório da CGU aponta "contratação de empresas de consultoria sem que se consiga verificar a efetiva contraprestação do serviço; contratação de empresas sem estrutura física e de pessoal; contratação de empresas cujos proprietários são ou foram ligados à CBV; contratação de empresas do mesmo proprietário que executa e audita a prestação de serviço; pagamento de notas fiscais sequenciais que demonstram que a empresa comandada prestava serviço somente para a CBV; pagamento de notas fiscais com descrição genérica do objeto contratado, como "comissionamento" ou "assessoramento".

O relatório também trata do caso da SMP, empresa de Marcos Pina, ex-dirigente da CBV ligado ao ex-presidente Ary Graça, que a CBV pagou, por "Prospecção de cotas de patrocínio, propriedades e títulos" aproximadamente R$ 3 milhões entre 2012 e 2013. Ainda de acordo com a ESPN, a CGU concluiu que "não há provas da prestação do serviço contratado pela CBV" e que "a empresa não possui infraestrutura física nem pessoal".

Os pagamentos feitos à SMP continuaram mesmo na nova gestão da CBV, comandada por Walter Pitombo Laranjeiras, Toroca. Ainda de acordo com o relatório citado pela ESPN, a empresa recebeu R$ 188 mil em 2014, a título de "assessoria de gestão administrativa esportiva".

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