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Juliana supera a dor de ficar fora da Olimpíada com títulos e prêmios

Brasileira foi eleita a melhor do mundo no vôlei de praia em 2009 e 2010

ANA PAULA GARRIDO - Jornal da Tarde,

17 de novembro de 2010 | 23h11

Persistência é a melhor palavra para descrever Juliana Felisberta, a parceira de Larissa França no vôlei de praia. Em 2008 ela viveu o drama de ser cortada na véspera da Olimpíada de Pequim por ter rompido o ligamento cruzado anterior do joelho direito. Apesar da frustração, não se abateu e continuou a rotina pesada de fisioterapia e treinamento pensando nos Jogos de 2012. E em 2009 e 2010 foi eleita a melhor do mundo.

Além do reconhecimento da Federação Internacional de Vôlei, Juliana conquistou este ano ao lado de Larissa o quinto título do Circuito Mundial e a liderança do ranking internacional. Mais um fruto da velha persistência da santista, que se considera nordestina por ter ido morar em Natal quando era criança e hoje viver em Fortaleza.

"Digo sempre que a craque é a Larissa. O que ela consegue em três tentativas, eu preciso de dez." Para compensar a desvantagem, Juliana faz outro esforço. Conhecida por chegar atrasada aos compromissos, ela é a primeira a começar a treinar e a última a parar.

As diferenças técnicas nunca atrapalharam o entrosamento da dupla, que se manteve unida no momento mais difícil. Fora a parceria com Larissa, Juliana encontrou forças na família, no patrocinador - que renovou o contrato por quatro anos antes de saber se ela voltaria a jogar bem - e no apoio que recebia até de quem não conhecia. "Andava pelas ruas e as pessoas diziam 'obrigado por ter lutado'. Isso contou muito."

Ela batalhou para se recuperar mesmo sabendo que a chance de ir a Pequim era remota. "Quando me machuquei já sabia que poderia ficar fora da Olimpíada. Foi mais uma dor sentimental."

A meta agora é conseguir mais aplausos e elogios até a Olimpíada de Londres, daqui a dois anos. Mas de forma natural, sem pressão. "Se a gente for para a Olimpíada será por mérito, e o objetivo é fazer o que a gente tem feito há oito anos."

O joelho está 100%, tanto que não requer cuidados especiais - apenas fisioterapia de rotina e sessões três vezes por semana na banheira com gelo. É suficiente, segundo ela. "Foi uma fatalidade (o que aconteceu em 2008)."

Adeus em 2016? O tratamento simples tem surtido efeito. Mesmo com uma carga puxada de treinos e viagens - Juliana e Larissa chegam a ficar três meses fora do Brasil -, a dupla não teve lesão na temporada. "É mais um motivo para comemorar."

Se continuarem assim, dá até para pensar em disputar os Jogos Olímpicos no Brasil em 2016 - Juliana terá 33 anos e sua parceira, 34. Aliás, encerrar a carreira aqui é o sonho de Juliana. "O Circuito Mundial é muito pesado, mas vou lutar para jogar em 2016."

Depois de dois anos sem pausa, para acelerar a reabilitação, a dupla poderá descansar após a última etapa do Circuito Brasileiro, que será disputada dia 26 em Búzios. Como já conquistaram o tetracampeonato nacional por antecipação, as duas diminuíram o ritmo de treino. Mesmo assim, a expectativa é de mais uma vitória, que seria a 11.ª em 12 etapas. "Estamos acostumando mal as pessoas."

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