Michael Dantas/Inovafoto/CBV
Michael Dantas/Inovafoto/CBV

Kadu supera doping e garante seu lugar na seleção brasileira

Ponteiro de 24 anos é um dos atletas que disputará o Campeonato Mundial neste mês de setembro

Catharina Obeid, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2018 | 05h00

Tudo ia bem na vida de Carlos Eduardo Barreto Silva, até que não estava mais. O ponteiro Kadu, de 24 anos, estava há menos de um ano vivendo uma aventura com a qual sempre sonhou: jogando na elite do vôlei da Itália. Até que o jogador de 1,99 metro foi pego no doping por um esteroide anabolizante e precisou ficar longos 365 dias afastado das quadras.

Em março de 2017, quando recebeu a notícia, Kadu perdeu o chão. Seu celular tocou a caminho de um treino para o Vibo Valentia, seu clube atual, mas o paulista não falava muito bem italiano então não entendeu direito o que estava acontecendo. "Eu não estava entendo nada, mas acho que também não estava querendo acreditar também", relembra.

Ele chegou no treino aflito e logo pediu que o explicassem a situação. O diretor do clube assim o fez e a notícia foi ainda mais chocante do que ele imaginava. "Logo que recebi a notícia eles falaram que eu ficaria 4 anos suspenso, nem sabia se ia continuar no vôlei depois de todo esse tempo, minha cabeça ficou uma bagunça muito grande", admite.

Kadu testou positivo para a substância clostebol por, como alega, ter usado uma pomada cicatrizante para espinhas. O atleta teve suspensão de dois anos anunciada, mas a pena foi reduzida para um ano e três meses pelo histórico positivo e pela caracterização de negligência. Cinco meses antes do término da suspensão, seu advogado e seu empresário entraram com pedido para que ele pudesse voltar a treinar. Dois meses depois, foi liberado.

Durante todo esse tempo, Kadu aprendeu algumas coisas. A principal delas foi ter paciência. "É uma lição para a vida, o tempo leva tudo. O doping aconteceu, eu tive que viver isso, não tive escolha", analisa. Mas como diz a sabedoria popular, há males que vêm para o bem. O jogador nascido em Vinhedo, no interior de São Paulo, aproveitou o tempo livre para achar outra atividade que o motivasse. "Comecei a fazer academia direto, de manhã de tarde, todos os dias. É uma coisa que gosto de fazer e acho que fisicamente eu voltei melhor do que quando parei", comemora.

A força de vontade foi compensada pouco tempo após sua volta às quadras. Kadu chegou à seleção de Renan Dal Zotto para substituir peças importantes, Lucarelli e Maurício Borges, lesionados. O jovem atleta garantiu uma das quatro vagas de ponteiros no Campeonato Mundial ao participar dos três amistosos contra a Holanda, onde ajudou e viu o time que busca o tricampeonato mundial terminar a campanha preparatória de forma invicta. "Os amistosos mostraram que eu estou ali, mas que falta bastante para conseguir dar meu melhor dentro de quadra", analisa.

Sua primeira participação com a camisa do Brasil foi em 2012, com a equipe juvenil. Depois, disputou o Sul-Americano e os Jogos Pan-Americanos já com a seleção principal. Desta vez, no entanto, vestir a amarelinha tem um toque de superação especial. Não só por estar entre os titulares, mas também pela geração de ouro com quem divide a quadra. "Todo dia é um aprendizado diferente, são campeões olímpicos, são fora do normal, fico observando, procurando detalhes, alguma coisa que eles fazem para aprender e mais pra frente ser campeão também", revela.

Antes de pensar no sonho dourado de ganhar as Olimpíadas, Kadu e seus companheiros de time têm o desafio de disputar o Campeonato Mundial representando o país, de 9 a 30 de setembro, na Bulgária e na Itália. A estreia da seleção brasileira é no dia 12, contra o Egito. "Nós nos preparamos muito, vamos em busca do título, o time está bem treinado. É jogo por jogo, mas sem sombra de dúvida queremos ser campeões", afirma.

 

 

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