Maurício quer reviver final olímpica

O levantador Maurício, aos 34 anos, não tinha a mínima idéia do que aconteceria após o último ponto do confronto entre Brasil e Espanha, hoje, pela Liga Mundial, no ginásio Geraldão, no Recife. Acreditava que receberia somente "um parabéns" da torcida (cerca de 8,7 mil pessoas) pelos 500 jogos com a camisa da seleção brasileira, marca histórica que completará amanhã, diante da Holanda - somente os cubanos Raul Diago e Ihosvany Hernandez superam essa façanha. Isso porque o exigente técnico do Brasil, Bernardo Rezende, o Bernardinho, quer evitar euforia e muita festa em plena fase final da competição - disse até que preferiria disputá-la longe da torcida porque a pressão é menor. O levantador recebeu uma placa de prata das mãos de Marco Maciel e foi levantado pelos jogadores da seleção em uma bandeira gigante, que simbolizava a camisa do Brasil, com o n.º 500. "Estou muito feliz e espero ganhar da Holanda amanhã como na final da Olimpíada de Barcelona, em 1992", disse o jogador, referindo-se a final olímpica, em que ganharam a medalha de ouro, única do Brasil em um esporte coletivo até o momento. "Não é para todos defender a seleção por 15 anos e em alto nível", elogiou Bernardinho. Maurício, que em 1987 defendia a seleção juvenil, foi surpreendido pela presença de grande parte da família, no Recife: a mãe Leila, a esposa Roberta, a tia Leda, os irmãos Marcos, Murilo, Mauro, as cunhadas Maria Isabel, Mara e Leila e os sobrinhos Rafael, Mariana, Hugo, Isabela e Marcela... . Todos viajaram escondidos, à convite da Confederação Brasileira de Vôlei. Ficaram em hotel diferente do que a seleção está hospedada e tinham um micro-ônibus para levá-los para o ginásio. Era para manter o suspense, mas momentos antes da partida, Maurício descobriu que todas estavam lá - a idéia inicial era ter um telão no ginásio, para mostrar o melhores momentos da carreira com depoimentos de familiares e amigos, no estilo "Arquivo Confidencial", do Domingão do Faustão. O telão, que custaria cerca de R$ 30 mil, não foi alugado. "E de pensar que ele começou brincando no portão de casa. A grade virava a rede e o adversário eram os amiguinhos da rua", disse a mãe do levantador, que o acompanha desde o início da carreira. "Vou plagiar o Roberto Carlos: são tantas emoções. Meu filho só me traz alegria...", brincou Leila, que se emocionava com facilidade, já no aeroporto, antes de chegar no ginásio. "Sempre fui seu fã e me imaginava cortando uma bola levantada por ele", afirmou o capitão da seleção Nalbert, que, assim como os companheiros, quer presenteá-lo com o título da Liga Mundial. "Espero que possamos lher dar esse presente."

Agencia Estado,

13 Agosto 2002 | 19h29

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