Reprodução
Reprodução

Maurício Souza posta foto de Superman beijando mulher e culpa ‘turma da lacração’ por saída do Minas

Um dia após rescisão de contrato, jogador ironiza episódio com quadrinho que foi a gota d'água para sua dispensa. Em vídeo, atleta também isenta diretoria do clube de culpa por sua saída e cita pressão de patrocinadores

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2021 | 10h32

Um dia após ter contrato rescindido do Minas Tênis Clube por uma série de comentários homofóbicos, Maurício Souza se manifestou nesta quinta-feira ironizando o episódio que acabou culminando na sua dispensa. No Instagram, o jogador publicou uma imagem do Super-Homem beijando a Mulher Maravilha, fazendo referência a uma de suas polêmicas mais recentes. Há cerca de duas semanas o atleta usou a mesma rede social para criticar o fato de que uma nova versão do quadrinho apresenta o herói como bissexual, gota d'água para patrocinadores pressionarem a equipe por medidas efetivas. 

Poucas horas depois da postagem, Maurício também publicou um vídeo no qual esclarece sua saída do Minas. Ele isenta o clube de qualquer tipo de culpa e ressalta que a direção fez o possível para mante-lo na equipe, mas a situação ficou insustentável. 

"A culpa disso tudo é da turma da lacração fazendo pressão em cima dos patrocinadores", disse o jogador no vídeo. "Qualquer coisa falada que não seja o que eles aprovam você é homofóbico e preconceituoso fato", escreveu na legenda da publicação. 

Os bastidores do Minas Tênis Clube foram agitados nesta quarta-feira. Na última semana, o clube decidiu multar e afastar Maurício pela série de declarações homofóbicas que o jogador vinha fazendo. Após uma retratação tímida, o atleta divulgou um vídeo pedindo desculpas, mas afirmando não estar arrependido. Sem convencer a opinião pública, principalmente os patrocinadores do Minas, o central foi desligado de maneira oficial do clube na tarde de quarta-feira. 

Pouco tempo após ser dispensado, Maurício foi às suas redes sociais confirmar a notícia. Ele, mais uma vez, reforçou que continuará defendendo aqui que julga ser o certo. "Sigo meu caminho plantando o que acredito, meu legado continua! O que deixarei para meus filhos e netos é o que conta no final".

Campeão olímpico com a seleção brasileira de vôlei na Rio-2016, Maurico é conhecido pela postura conservadora. Recentemente, ele afirmou ser um homem que "preza a família" e que luta por valores bíblicos. "Lutar pelo que se acredita é para poucos! Pelos meus valores, crenças e propósitos eu irei até o fim! Custe o que custar".

Comentários causam reação no mundo do vôlei

Os comentários de Maurício Souza geraram bastante repercussão no mundo do vôlei, mas não caíram bem entre os próprios colegas de equipe do central. O líbero Maique — que é gay —, o levantador William e o ponteiro Henrique Honorato usaram suas redes sociais para se posicionar de forma contrária ao jogador. 

"Está aqui meu posicionamento, em relação ao clube e nosso companheiro de equipe, isso é algo que eles tem que resolver. Não há nada que eu possa fazer. E passar o pano também não vou pq é algo grave! Homofobia não é opinião - escreveu Maique em sua conta no Instagram", escreveu Maique nas redes. 

Medalha de ouro na Rio-2016 ao lado de Maurício, William foi outro a condenar as falas do colega de equipe. "Não compactuo com o posicionamento do Maurício Souza, sou contrário à [sic] manifestações preconceituosos, homofóbicas ou racistas."

No Twitter, Henrique Honorato, por sua vez, disse "não compactuar com homofobia ou qualquer tipo de preconceito" e afirmou acreditar na "igualdade". 

Jogadoras da seleção feminina de vôlei também foram às redes para se manifestar. A central Carol Gattaz, que também atua pelo Minas Tênis Clube, publicou uma nota no Intagram repudiando a posição de Maurício. 

"Homofobia é crime. Racismo é crime. Respeito é OBRIGATÓRIO. Está na lei, garantido pela constituição. Já toleramos desrespeito, gracinhas e preconceitos disfarçados de opinião por muito tempo. Chega", postou Carol.

Bicampeãs olímpicas pelo Brasil, Fabi Alvim e Sheilla Castro usaram o Twitter para comentar o caso, publicando a frase "Homofobia é crime". 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.