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Melhor líbero da Superliga aos 38 anos, Alan ainda sonha em voltar à seleção brasileira

Para o atleta, uma base mais valorizada é a certeza de um futuro para o vôlei

Catharina Obeid, O Estado de S.Paulo

13 Março 2018 | 09h22

Melhor líbero em atuação na Superliga, de acordo com as estatísticas da Confederação Brasileira de Voleibol, Alan Barbosa Domingos sonha em voltar a jogar pela seleção. “Todo jogador tem um sonho e esse é o meu”, afirma. Aos 38 anos e prestes a ser pai de seu primeiro filho, Nicolas, o mineiro já acumula 21 anos dedicados ao vôlei. Nesse tempo já viu e viveu um pouco de tudo. Percebeu mudanças no estilo do jogo, sofreu uma lesão grave e se deu conta que o vôlei brasileiro tem muito a evoluir no quesito estrutural.

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Apesar de ser natural de Uberlândia e hoje atuar pelo Montes Carlos, Alan se considera “cigano”. O mineiro já morou em São Paulo, Campinas, Santa Catarina e teve passagens pela Rússia, Bélgica e Romênia. Mas foi em Sonora, uma cidadezinha no norte do Mato Grosso do Sul, que descobriu sua paixão pelo vôlei. Mesmo acordando 4h30 da manhã para ajudar seus pais no corte de cana, Alan viu pela televisão a conquista brasileira na Olimpíada de Barcelona. “Aquela medalha de ouro de 1992 fez muito garoto querer jogar voleibol. Eu fui um deles. Não tinha nem tênis, nem condições econômicas, mas tinha um ídolo e precisei jogar ao lado dele”.

Alan se refere ao ex-jogador Marcelo Negrão. Dez anos depois Alan seria campeão da Superliga pelo Ulbra ao lado do seu ídolo.  Mas muito antes disso precisou passar por peneiras. Aos 16 anos ainda jogava como levantador. Só no ano seguinte, em 1997, que Alan disputou sua primeira Superliga. Já começou conquistando o vice-campeonato pelo Olympikus. Antes mesmo da virada do século o jogador já estava jogando na posição que hoje é fixo. Foi Renan, o atual substituto de Bernardinho na seleção brasileira, que o aconselhou nessa transição.

Falando em seleção, foi em 1999 que ele conquistou sua primeira medalha a nível nacional. Levou o bronze no Campeonato Mundial Juvenil, na Tailândia, e foi considerado o melhor defensor e melhor receptor de todo campeonato. Oito anos depois chegou a hora que Alan tanto esperava, ser convocado para vestir a camisa do Brasil no time principal. “A gente nunca esquece aquela sensação de ‘poxa tudo que eu vivi e que passei na infância valeu a pena, eu realizei meu sonho’”, conta. Ele fez parte da conquista do título mundial de 2010, na Itália, e sua última participação com a amarelinha foi em 2013, quando conquistou a medalha de ouro no Sul-Americano, na Copa Pan-Americana e a prata na Liga Mundial.

Convocado por Bernardinho, o atleta foi o segundo líbero a chegar na seleção. O primeiro era Serginho. Naquela ocasião Alan tinha tido uma lesão recente, enquanto jogava na Rússia. A culpa, por mais absurdo que pareça hoje em dia, foi do departamento médico do clube. “O médico me deu uma injeção de corticoide no tendão, o que fez com que ele rompesse”, relembra. Foi difícil, dolorido e desafiador, mas ele voltou. No entanto sente muito, até hoje, por não ter conseguido dar seu máximo pelo Brasil. Talvez por isso queira tanto outra chance.

Em todos esses anos o atleta acumula algumas experiências como aprender a dar valor para a parte física e a dormir cedo. Além dos cuidados com ele próprio, o jogador de 1,91m também viu mudanças significativas no esporte. “Naquela época era um vôlei e hoje é completamente outro. Antes era mais força, hoje é muito mais rápido, mais técnico”, analisa. Apesar dos avanços, Alan considera que o vôlei do nosso país ainda “está dois passos atrás dos outros campeonatos mundiais”. Ao comparar com países como Itália, Polônia e Rússia, o líbero percebe que falta ainda mudanças estruturais quando se trata dos clubes.  Para ele uma base mais valorizada é a certeza de um futuro para o esporte. “Educação em primeiro lugar, cativar esses meninos, e só depois pensar em assinar o contrato”.

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