Miljkovic, o jogador de US$ 1 milhão

O nome dele é Miljkovic. Joga como oposto, posição dos grandes pontuadores, e sempre é um dos destaques das competições internacionais de vôlei. Não se trata , porém, de Marcos Milinkovic, sensação do Campeonato Mundial, disputado na Argentina, seu país. Ivan Miljkovic é iugoslavo, nasceu em Nis, tem 23 anos, 2,06 metros (é o mais alto da seleção da Iugoslávia), alcança 3,54 metros no ataque e 3,33 metros para bloquear. Nesta quinta-feira, comandou a vitória por 3 a 0 (25/20, 25/23 e 25/16) da Iugoslávia contra Portugal. Marcou 13 pontos. Com este resultado, os iugoslavos avançaram às semifinais da competição - começam a ser disputadas nesta sexta-feira em Córdoba. "Antes me confundiam com o Milinkovic, mas depois que cheguei na Itália para jogar no Macerata já era mais famoso do que ele", conta Miljkovic, referindo-se à quantia recorde que o clube italiano pagou para sua equipe em Belgrado: US$ 1 milhão. Até então, nenhum outro jogador teve transferência tão cara. "Passei a ser o Miljkovic, o jogador de um milhão de dólares", comenta aos risos, ao lembrar do episódio. Miljkovic, que fechou contrato com o Macerata por quatro anos (tem mais dois a cumprir) por valor que não revela, chegou na Itália como campeão olímpico. Fez parte da equipe do treinador Zoran Gajic - trocou a seleção por um clube na Turquia logo após a Liga Mundial deste ano. O técnico atual é Veselin Vukovic, ex-assistente de Gajic. Com cerca de 100 jogos pela seleção iugoslava (estreou na seleção juvenil em 1997), Miljkovic tem ainda uma medalha de bronze no Campeonato Europeu (1999) e o título de 2001, a prata no Mundial do Japão (1998), o bronze na Copa do Mundo do Japão (2001) e mais um bronze: o da Liga Mundial de 2002. Quase sempre termina as competições como maior pontuador. Fato que ocorreu no último europeu, na Copa do Mundo de 2001 e nas duas últimas edições da Liga Mundial - em 2001, a Iugoslávia terminou em quarto. "Estou bem de oposto, não é?", perguntou Nalbert, o capitão da seleção brasileira, que também defenderá o Macerata na próxima temporada, interrompendo a entrevista no hall do hotel dos atletas. Não foi o único. Vários jogadores da seleção da Itália fizeram o mesmo. "Ele é querido por todos porque é uma ótima pessoa. Chegou na Itália quando tinha acabado de se consagrar na olimpíada. Foi super-humilde, mesmo nas situações adversas como no início, quando estamos nos adaptando", comenta Nalbert. Miljkovic começou no vôlei em 1990 em uma escolinha em Nis. Jogou uma temporada no time da cidade e em 1996 transferiu-se para Belgrado."Joguei tênis, handebol e fiz natação. Não era muito alto. Fui crescer em 1998 e 1999. Foram 22 centímetros." Miljkovic, que tem família classe média na Iugoslávia - os pais trabalham em uma estação de águas térmicas medicinais -, não quer sair da Itália. "É o melhor campeonato de clubes e fica a uma hora do meu país", explicou em inglês, lígua que aprendeu usando a internet (seu hobby favorito é ler jornais online e entrar em salas de bate-papo) e ouvindo música - "gosto de tudo: rock, salsa, samba, soul music..." Também fala sérvio, italiano e francês. Outra mania: carros, principalmente Ferraris. "Ainda não tenho uma Ferrari. Coleciono miniaturas." É tímido, mas muito simpático. Quando perguntado sobre a família, contou que o irmão Branco é jogador de basquete. "O nome dele é Branco igual ao daquele jogador de futebol do Brasil. Sabe o Branco?" Miljkovic diz que está longe de ser o melhor em sua posição. Aponta o quase homônimo Milinkovic e o espanhol Pascual como grandes concorrentes. "Muitos dizem que já mostrei o meu máximo. Mas sou novo e vou crescer ainda mais", afirma o atleta, que por hora, quer o título mundial e o do Campeonato Italiano. Com o Macerata, ganhou a Copa Itália em 2001. "São os únicos que ainda me faltam."

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