JF Diório|Estadão
JF Diório|Estadão

Mimi Sosa, a argentina que cresceu numa comunidade indígena e agora brilha no vôlei brasileiro

Atleta é um dos destaques do Pinheiros na Superliga feminina

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

23 Fevereiro 2017 | 19h03

A central Mimi Sosa, do Pinheiros, é um dos destaques da equipe na Superliga feminina de vôlei. Aos 29 anos, ela é considerada baixinha para a função - tem 1,76 m -, mas compensa com forte impulsão e velocidade. "Eu me sinto em casa no Brasil e estou contente de disputar mais uma vez a Superliga", conta a atleta.

Ela nasceu na Argentina, em Ibarreta, uma pequena cidade na província de Formosa, próxima da fronteira com o Paraguai. O município fica a 1.253 quilômetros de Buenos Aires. Cresceu em Las Lomitas, na mesma região, só que aos 8 anos se mudou com os pais, professores rurais, para estudar em uma escola indígena no Lote 1. Foi ali que cresceu em conviveu com os indígenas da etnia Wichí.

"Eu morei lá. Meus pais são professores de comunidades indígenas, morei seis anos lá, fui na escola com minha mãe. Passei minha infância lá e foi muito lindo", conta a atleta, lembrando que era uma rotina muito diferente. "Lá não tem nada. É tipo um deserto, só tem as pessoas, casas, e vivíamos bem próximos da natureza. Não tem luz elétrica, não tem água para beber, é bem diferente."

Orgulhosa de sua trajetória, Mimi nunca escondeu suas raízes indígenas. Seu avós eram de uma comunidade quechua e ela fez questão de tatuar no braço a frase na língua wichí "Otetsel ta n'am talakis", que significa "minhas raízes, minha história". Na cabeça, sempre coloca uma faixa. "Eu acostumei, desde pequena. É uma marca minha", revela.

Sempre que pode, ela vai até a comunidade wichí fazer visitas. O ponto alto de sua carreira foi nos Jogos do Rio, quando ajudou a seleção da Argentina a disputar a competição após 52 anos de ausência. "Foi o sonho da minha carreira. Estou desfrutando muito e mais relaxada porque não tenho mais esse peso nas costas. Se hoje eu parasse de jogar, me sentiria realizada", diz.

Quando estava entre os indígenas, conheceu o vôlei por influência do pai, que mostrava as diferentes modalidades para as crianças, já que não existia televisão no local. Ela se apaixonou logo de cara pelo futebol e só trocou pelo vôlei quando tinha 16 anos e já morava em Córdoba. "Meu sonho sempre foi jogar Superliga, estou no terceiro ano aqui e quero manter o nível", diz.

Ela mora com Tania Costa, uma outra argentina que joga no Brasil. "Minha família sempre me acompanha, quando podem vem para cá, foram aos Jogos do Rio, e assistem aos jogos pela internet. Sinto falta deles, mas o resto é bem parecido", afirma, comparando morar em São Paulo com as grandes cidades da Argentina.

Para ela, a maior diferença está no nível de treino e jogo. "É preciso estar 100% e estou contente em corresponder. Para mim, jogar no Pinheiros é muito legal. Desde que cheguei o clube me deu tudo, a gente treina de forma profissional e lá na Argentina é muito difícil encontrar um clube assim", conclui.

Notícias relacionadas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.