Nalbert: inspirado na geração de prata

Quando jogadores como Montanaro, William e Renan conquistaram a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles/84 com a seleção brasileira de vôlei, não imaginavam que estavam servindo de exemplo para a formação do futuro capitão da equipe do Brasil: o ponta Nalbert. Neste domingo, o líder do time do técnico Bernardinho decide mais um título, na final da Liga Mundial, em Belo Horizonte. O atleta de 28 anos começou a jogar no Flamengo quando tinha 13 anos. "Me interessei pelo vôlei quando teve aquele ?boom? da geração de prata, que na minha opinião é de ouro porque foi ela que popularizou o vôlei no Brasil. Vi que levava jeito e nunca mais parei. Os dois que eu mais gostava de ver jogando eram o Renan e o Bernard", conta o jogador, que vai disputar as próximas duas temporadas do Campeonato Italiano pelo Macerata, um dos favoritos. Até os 18 anos, Nalbert jogou no clube carioca. Desde que se profissionalizou, passou apenas por grandes equipes: Minas, Banespa, Olympikus, Macerata e Panasonic (do Japão), até voltar ao clube italiano. A primeira convocação para a seleção brasileira foi em 1993. "No final daquele ano, o Tande teve um problema, não me lembro qual, e não pôde ir à Copa dos Campeões no Japão. Foi quando o Zé Roberto (José Roberto Guimarães, técnico da época) me convocou." Em 1997, Nalbert assumiu pela primeira vez a braçadeira de capitão - até então usada por Carlão, ouro olímpico em Barcelona/92. "Encarei na maior naturalidade. Se sou capitão hoje é porque tive bom comportamento. Claro que tem de prestar mais atenção em algumas coisas. Mas levo numa boa essa responsabilidade, essa pressão, que é o tipo de coisa de que gosto." Em 1998, assim como em 1994, os brasileiros chegaram ao Mundial como favoritos. Mas repetiram a quarta colocação. Em 1998, o time, já comandado por Radamés Lattari, passava por crises de relacionamento, mas com a mesma base da equipe atual, com Nalbert, Giba, Gustavo e Maurício. O capitão considera a vinda do técnico Bernardinho crucial para a mudança de comportamento do time e a conquista de títulos. "Aquela seleção de 98 foi bem. Chegamos à semifinal e fizemos um jogo histórico com a Itália, que infelizmente perdemos por 3 sets a 2. Se a gente passasse ali, ia ser difícil alguém tirar o título do Brasil. Terminamos em quarto, o time não foi tão mal. Houve uma grande mudança, quando o Bernardo assumiu. Ele trouxe uma filosofia nova e isso fez a diferença. Além de novos jogadores, como Henrique, André Nascimento, Escadinha, a gente recuperou algumas coisas que estavam ficando para trás, como a parte tática. O Bernardo é um cara que conhece tudo de vôlei no mundo inteiro, trabalhou na Itália." Sobre os problemas de relacionamento, Nalbert ameniza: "Se há brigas entre marido e mulher, como não vai haver em um grupo de 15 homens? O problema era que cada um pensava como ?eu?, e não como ?nós?. O Bernardinho trouxe de volta o espírito de ?nós?. A partir daí, rendemos muito mais. Temos todos os ingredientes para sermos mais que um time vencedor, podemos ser um time marcante na história do vôlei."

Agencia Estado,

17 Agosto 2002 | 14h01

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