Divulgação/ Sesi-SP
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'Não tem como não colocar o vôlei do Brasil como favorito para os Jogos de Tóquio', diz Murilo

Jogador do Sesi-SP comenta as chances das seleções nacionais na Olimpíada e lamenta a crise da modalidade no País

Entrevista com

Murilo Endres, jogador do Sesi-SP

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2020 | 07h00

O veterano Murilo Endres, jogador de 38 anos de vôlei do Sesi-SP, se reencontrou na posição de líbero. Acostumado à nova função, ele garante que não pensou ainda em sua aposentadoria e que a nova função o ajudou a ter uma longevidade maior na carreira. Preocupado com a situação do vôlei nacional, ele gostaria de a modalidade tivesse mais possibilidades de transmissão na TV aberta e aposta que o Brasil vai brigar pelo pódio nos Jogos Olímpicos, no masculino e no feminino.

Como está sendo jogar como líbero?

Hoje já não é uma posição mais tão nova para mim. Para ser sincero, ainda é desconfortável não poder atacar ou pontuar, mas tenho me adaptado cada dia mais à função. Muitas vezes o Rubinho faz o revezamento com o Pureza, ele joga na parte de defesa, eu fico mais no passe, e por causa das lesões que o time teve eu tenho feito tudo, o que me dá mais tempo de quadra e isso é bom. Ainda tenho a evoluir porque são apenas dois anos e meio exercendo a função, mas é no dia a dia e jogando, acertando e errando, que vou melhorar.

Como você vê esse momento de dificuldade financeira no vôlei brasileiro?

Isso está ocorrendo no esporte em geral. Tivemos um boom em 2016 por causa da Olimpíada e era um pouco natural que caísse o investimento em 2017, porque os Jogos do Rio já tinham acabado. O vôlei sempre manteve um nível porque temos muita tradição olímpica, é considerado o segundo esporte no Brasil atrás do futebol, mas é sempre triste ouvir notícias de que os clubes não estão pagando, ou de que o patrocinador vai sair. Não é fácil repor e isso é ruim para o mercado, porque é uma equipe inteira que terá de se dividir para as outras, ou os jogadores terão de ir para o exterior. Tem jogador que está lá fora querendo voltar, então seria ótimo que a gente tivesse mais possibilidades, uma Superliga B com mais equipes e que todo mundo estivesse feliz. Mas essa realidade do País e do esporte. A gente precisaria de mais visibilidade, para poder vender melhor nossa modalidade. Espero que a CBV consiga trabalhar com isso.

Você tem uma longa vivência no vôlei. Tem alguma ideia do que possa ser feito?

Infelizmente a TV aberta influencia muito. Teria de fazer até um tipo de investimento por parte da CBV para a gente ter um mínimo de um jogo na semana. A TV Cultura está passando os jogos desta temporada, mas precisamos fortalecer a marca, pegar um dia específico de vôlei. A gente sabe que na quarta e no domingo tem rodada do futebol, então o vôlei precisa ter uma rodada no masculino e outra no feminino durante a semana para fidelizar o público. E também investir mais em atrativo no ginásio, a gente precisa dessa torcida. Tudo isso ajudaria.

Como está seu projeto de carreira?

A função de líbero me deu mais tempo de voleibol. Esse é um período que a gente começa a tomar decisões, a diretoria do Sesi-SP já está começando a se mexer, conversar, pensar no time do ano que vem. Sempre me coloquei à disposição para continuar no Sesi-SP, seja dentro de quadra ou do lado de forma, que seja um processo natural, mas ainda não foi tomada nenhuma decisão. Depois da Superliga a gente deve sentar para conversar.

Você acha que tem chance de representar o Brasil nos Jogos de Tóquio?

Chance todo mundo tem porque não sabemos o que vai acontecer. Mas acho que o Thales, nos últimos anos, fez todo o ciclo olímpico, é um cara de confiança do Renan (Dal Zotto, técnico da seleção masculina) e de todos os jogadores, o Maique está junto nessa briga. É natural que essa vaga de Tóquio fique entre os dois.

A Jaqueline, sua mulher, vinha em ótima fase na Superliga. Acha que ela tem chance de ser convocada?

Foi uma bela uma surpresa, ainda mais depois de uma temporada sem jogar. Ela voltou muito bem, não é a primeira vez que ela faz isso, e virou uma dor de cabeça para o Zé Roberto (Guimarães, técnico da seleção feminina). Ele que se vire para montar a seleção feminina para os Jogos Olímpicos.

Você acha que o Brasil pode conquistar medalhas em Tóquio?

Acredito, o Brasil se credencia a isso. Não tem como não colocar o Brasil como favorito. Diria que o masculino um pouco mais, pelo resultado de 2016, quando foi ouro nos Jogos do Rio, pelo vice mundial em 2018, então se manteve em um caminho vitorioso. Talvez seja esse o perigo, pois a gente espera muito dessa seleção, e isso aumenta a pressão. Mas é natural que a seleção masculina brigue pelo ouro. A feminina tem muita tradição e experiência, começando pelo banco, pois o Zé Roberto é um cara que sabe o que fazer em uma Olimpíada. Espero que ele consiga montar o melhor grupo possível e que o Brasil brigue pelo ouro mais uma vez.    

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